quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

RUN, JULIE, RUN

Ela chega na minha casa depois de um dia de trabalho e de um vôo de Curitiba. Deixa suas coisas no quarto de visitas. Encosta-se no batente. E logo vem o seu olhar: Vamos? Não, ela não quer tomar banho ou lavar a mão ou beber um copo d’água ou sentar um pouquinho. Julie não pára. Voamos até O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Mal sentamos e a Julie se encanta com a sacola-casinha da loja da Carina Duek. E lá vem o seu olhar: Vamos? E é assim o dia todo, dia após dia. E vamos desenvolver uma nova tese tributária e vamos decorar um apartamento e vamos ao W cortar o cabelo e vamos comprar uma BMW e vamos fazer mais um mestrado e vamos malhar e vamos levar a Rebequinha ao pediatra e vamos visitar um cliente e vamos jantar no Passarinho e vamos tomar um cafezinho no Santo Grão e vamos comprar uma vaquinha para o Wilson.

“A Julie tem uma energia infinita”, confidencio à minha irmã Marília, “não dou conta”. É como ter uma filha adolescente, imagino.

Então não entendo nada quando a Julie desmaia na noite de Natal e yada yada yada há um tumor de 15 centímetros de diâmetro entre os seus pulmões. E então os exames, as internações, a UTI, a infecção pulmonar, o dreno, a anemia. E a entourage da Julie o tempo todo no hospital, na casa da Julie, com a Rebequinha em Curitiba, com a Rebequinha em Ponta Grossa, na casa dos avós. E nosotros, ao norte do Paraná, atentos aos celulares aos emails aos sms. E repetindo o mantra “obrigada pela saúde da Julie”.

Há pouco recebo a notícia de que a biopsia não identificou traços de malignidade.

Senhores e senhoras... Não é dessa vez que a Julie pára!

6 comentários:

Estefanio disse...

Eu tambem conheço uma pessoa assim, nunca é o fim!
hahah mas até q eh bom ne?

Márcia (Mendes Ribeiro) disse...

Lindo seu texto Lúcia. Li ontem e quando falei com Julie (contei mais ou menos o tema) perguntei se queria que eu levasse para ela ler. Sabe como é... não vou ficar impondo emoções, já bastam as inerentes à situação. Ela quis e assim o farei. Acho engraçado que tudo na vida tem um Lado B... quantas vezes não vejo Julie resmungar que a gente é muito "devagar"? hahahaha Beijo

Anônimo disse...

Vamos, vamos, vamos... Nunca chega, né? Lembre a sua amiga de viver um pouco, enquanto ela pode.

Alberto Pereira Jr. disse...

fico feliz em saber que o tumor não é maligno. Muita saúde e pronta recuperação a ela!

Lúcia BL disse...

Respostas:

estefanio: salut! então você conhece UMA pessoa como a julie? eu pensei que todo mundo no glam world fosse assim! :-$ beijo grande... e escreve mais, né?

márcia: olá, lindona! obrigada pelo comentário tão generoso! imagino que a julie (e todo mundo no planeta terra) me ache meio devagar. ou não? tenho energia para fazer TUDO com MUITA intensidade - mas fazer muita coisa não é para mim. aliás, a julie é uma das pessoas que leva melhor o meu less is more. nunca sinto que eu deveria acompanhá-la, ou mesmo acompanhar o ritmo dela. beijos paulistanos!

anônimo: por estilo literário, terminei colocando a julie em câmera rápida demais. você acha que só há vida e presença naquilo que se faz lentamente? eu sou mais feliz quando coloco a minha plena atenção a uma coisa de cada vez - mas imagino que outras pessoas processem o mundo de forma diferente!

dearest alberto: obrigada, de coração! beijo grande

Marilia Lamberti disse...

boas notícias!
julie run to work!