terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ANOTHER ONE BITES THE DUST

Courtney Love chama Gwen Stefani de cheerleader. Gwen indigna-se: "F@*k you! You want me to be a cheerleader? Well, I will be one then. And I'll rule the whole world, just you watch me."

O resto da história é Hollaback Girl. Todo mundo conhece. Sobre a canção e o vídeo, digo apenas que eu a-do-ro, que eu acho girlpower para caramba.

O que tem a minha atenção aqui é que duas mulheres nos seus 35, 40 anos falem palavrão façam uso de uma simbologia – mais: uma iconografia – das suas adolescências para expressar aquilo que as aproxima e as separa. Não consigo imaginar Daniela e Ivete recorrendo a símbolos tão longínquos. Não consigo me imaginar, nos meus 44 anos, recorrendo a símbolos até menos longínquos.

Sim, concordo com o Ludo no seu elaborado comentário a You Won’t Go to the Ball! Felizmente, e apesar da força da cultura yankee em Terra Brasilis, não estamos a replicar as dinâmicas de inclusão e exclusão social de seus high schools e colleges. Esse universo dos bailes, cheerleaders e times da escola, dos monitores e monitorados, dos jocks, druggies e nerds, dos prom kings e prom queens, dos bullies e dos, er, bullinados – esse é um universo todo americano, que nos é difícil até mesmo interpretar.

Eu tenho algumas reflexões sobre isso, sobre a minha dificuldade em interpretar esse universo. Fiz pós-graduação na University of Ottawa nos anos 80 – I know, Canada is not the 51st state. E trabalhei em Wall Street (woohoo!) nos anos 90, ao lado de um monte de baby bankers e baby traders saídos das Ivy Leagues.

Por ora vou poupá-los da minha retórica. Digo apenas que é ali, no high school, que ganha raízes a idéia americana da vida como uma competição. Uma competição onde você é um winner ou um loser.

7 comentários:

Anônimo disse...

Que? Você tem 44 anos? Acho que vc está lindissima, eu nunca imaginei. Juro. Parabens!!

ludo diniz disse...

uia
recebo como resposta um post
agora estou obrigado a lhe pagar o cosmo (ou outra bebida q lhe agradar)

introspective disse...

Honey, a high school americana pode ser cruel, mas isso é porque vc não conhece o meio gay. G-zuiz.

Lúcia BL disse...

Respostas:

querido anônimo: nós nos conhecemos, não? e você não soube deixar o seu nome - foi isso? como disse raul seixas, tente outra vez! assim, e para agradecer-lhe por comentário tão fofo, haverá, como disseram tom e vinicius, menos peixinhos a nadar no mar do que os beijinhos que eu darei na sua boca!

ludo, sweetie: cosmo now, claro! adoro. xxx

dearest introspective: olá! de fato não conheço o meio gay... a não ser como aspirante a fruit fly. mas agora entrarei numa massive girlie vibe com a libanesa e a sua amiga rejane, que chega de hong kong. quem sabe eu ganho o physique du rôle de fruit fly oficial?

mas agora me diz... o que é cruel no meio gay? os gays entre si? os gays com os héteros? ou você quis dizer que o mundo hétero é cruel com os gays? ou será que crueldade é a moeda de troca de qualquer ambiente competitivo - como, aliás, parece sugerir o filme ridicule de patrice leconte? quero entender mais sobre isso, please! esse tema me interessa muitíssimo!

beijo grande!

introspective disse...

Existe sim a hostilidade do mundo hétero mainstream com os gays, mas estou falando da crueldade interna mesmo. Gays são extremamente competitivos: pelo corpo mais sarado, pelas posses materiais, pelo superbofe, a disputa é constante - e nessa guerra vale usar todas as armas, ser cruel com o próximo, puxar-lhe o tapete, fazer fofocas, espalhar discórdia, cobiçar e jogar olho gordo nas conquistas alheias. Vivemos numa pressão constante, somos escravos de cobranças dos nossos próprios pares para estar dentro de certos padrões. Isso sem falar que as próprias bichas se queixam de preconceitos, mas segregam-se umas às outras: o mundinho gay é cheio de Genis, as malditas em quem se joga pedra e bosta - o afeminado, o pobre, o não-sarado, o passivo, o soropositivo, o michê, o nordestino... essas figuras sofrem toda a perseguição dos héteros e ainda precisam agüentar os próprios gays pegando no pé. Ser viado é uma delícia, mas também é foda. Por isso acho que a high school americana, com seus draminhas de seriado da Sony, é fichinha.

(Deu pra dar uma idéia?)

Lúcia BL disse...

Resposta:

caramba..! e eu e o john lennon que achávamos que women were the nig*@rs of the world!

tô amando muito esse diálogo sobre mundo cruel. escrevi uma resposta mas ficou do tamanho de um post. acho que vou postar...

precisamos é fazer LOGO um café filosófico, isso sim!

beijo grande

Alberto Pereira Jr. disse...

interessante sua análise Lúcia, realmente o universo do high school norte-americano é bem peculiar.. diferente de qualquer experiência escolar brasileira com certeza. É um universo todo complexo de lutas, auto-afirmação, derrotas e muita disputa..

Contudo eu preferia a a Gwen no No Doubt.. hehehe