quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

WILL YOU BE MY VALENTINE?

Já lhes contei que, inspirada pelo livro Hi-Fidelity de Nick Hornby, também eu saí fazendo minhas listas. Uma dessas listas é a de canções mais românticas de todos os tempos. Ainda não a concluí, mas Night and Day, do de-lovely Cole Porter, é uma delas.

Há então outra lista, a de melhores interpretações de Night and Day. Essa eu também não concluí. Mas já decidi que, no matter what, a interpretação bossa nova de Everything But the Girl comanda. (A pior provavelmente é a do U2. But let’s not bother with things we hate.)

E por que esse romantismo de repente? Porque hoje, Valentine’s Day, desejo que você ame alguém que pense em você noite e dia. Alguém que deseje você. E que esse seja um desejo incessante. Um tormento. Um tormento que não acabe – until you let them spend their life making love to you.

Mas será?

Pensando melhor, não estou certa se alguém que pense em mim noite e dia é uma boa coisa. Sim, esse é um desejo que me visita de vez em quando. Mas daí a realmente vê-lo manifestado? Dia após dia, ter alguém que pensa em mim noite e dia? Que escravidão, hein? Sim, pois a escravidão do escravo é a escravidão do senhor. E, também pensando melhor, não é isso que nos ajuda a revelar essa interpretação angustiada do U2? Nesse vídeo angustiado do Wim Wenders? Danke Schön, Bono e Herr Wenders.

Acho que prefiro um outro tipo de amor. Um amor que faz de mim, para quem me ama, não um fim em si mesmo. Mas um amor que faz de mim, para quem me ama, um portal, um catalisador de um amor para o mundo. E vice-versa, você entende. Já falei um pouco sobre isso.

Aliás, nem Ginger Rogers parece interessada nesse amor que aprisiona. Fred Astaire fala, fala, canta, canta – e ela não dá bola. É só quando ele começa a dançar que ela, como diria o MC Leozinho, ela dança. Seria diferente, Ginger, se Fred Astaire falasse, falasse, cantasse, cantasse como o jovem Frank Sinatra?

6 comentários:

BHY disse...

Em datas assim, "obrigatórias", se não tenho um amor, penso, e até consigo sentir, o amor de todos que eu amei. Como ondas que se propagam pelo espaço e nunca voltam, essas sempre retornam nesse meu mar, minha praia solitária. A solidão é assim, destrói castelos, mas deixa pegadas facilmente apagáveis.
;-)

Lúcia BL disse...

Resposta:

salut, bhy!

menino, estou aqui lendo e relendo... mas só consigo entender a sua primeira frase, que me encantou. esse é mais do que um amor por uma ou mais pessoas, e diferente de um amor mais abrangente pelo mundo: é amar o amor, não?

e que você consiga acessar isso pela memória do amor que sentiu por alguém - que delícia!

tive algumas experiências de sentir um amor, er, absoluto, a primeira delas no ano passado. mas que acessei de outra forma. ainda não sei se tratou-se de uma experiência mística ou de uma experiência estimulada quimicamente.

quero mais!

http://lux-religare.zip.net/arch2007-04-15_2007-04-21.html#2007_04-18_00_35_09-6540800-0

beijo!

Paola Gancia disse...

Que blog lindo!

Adoro!

Que outras músicas estão na lista das + românticas?

Beijo

Paola Gancia disse...

A escravidão do escravo é a escravidão do senhor. É bem isso, viu? Parabéns

BHY disse...

Lúcia, coloquei um post lá sobre isso. Receita, no blog. É amar o sentimento mesmo, não mais que isso. Amemos, façamos, vamos amar.
;-)

Alberto Pereira Jr. disse...

tb não quero um amor aprisionado, escravizado em minha lembrança.. quero um sentimento livre e fraterno.. querer é poder, certo?