terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

aka MR. BIG

O antenadíssimo Tony Goes, meu vizinho e blogueiro favorito, acaba de postar o muito esperado novo trailer de Sex and the City: The Movie. Kudos to Tony!

Tony diz ter gostado do que viu: As meninas, as roupas, a Jennifer Hudson, e principalmente a música-tema em versão "orquestra de Hollywood". Mas vejam, meninas, como são os homens: Passou-lhe batido o que todas nós realmente queríamos saber – o nome verdadeiro do Mr. Big. Onde já se viu um trailer revelar o que o último episódio da série deixou em segredo? Talvez por isso os produtores estejam tirando-o do ar.

O nome é John James Preston. Ah, eu sei: É tão previsivelmente wasp..! Os autores perderam a chance de nos surpreender com um sobrenome polonês, irlandês, ou mesmo muçulmano. Ou com um nome que referencie alguém do mundo real: Era esse o caso do outro namorado de Carrie, Aidan Shaw – uma homenagem ao, er, grande ator de filme pornô gay Aiden Shaw. Bom, segundo o Tony, o filme estréia em 4 de julho. Os autores têm um pouco menos de quatro meses, sete dias, cinco horas e vinte minutos para pensar num nome mais criativo.

Deixo-os com a lindíssima Blue Skies, do very-New-Yorker Irving Berlin. É essa canção, na gravação da very-divine Ella Fitzgerald, que abre o trailer de SATC: The Movie. Aqui vemos a very-girl-next-door Alice Faye cantando-a para um Mr. Big dos anos 40, Tyrone Power.

4 comentários:

Gui disse...

Sera mesmo esse nome? Tambem achei normal além da conta.
pelo menos ja estou amando o figurino, né...

Todo mundo contando os dias!

Tony Goes disse...

Lux, pelo menos o nome "John" já era revelado no último capítulo da série. Numa das últimas cenas, Carrie está andando pela rua quando recebe uma chamada em seu celular. Ela olha para a telinha do aparelho e lá está escrito: "John". Aí atende, e é o Big!

Lúcia BL disse...


Resposta:

salut, tony!

é verdade, já sabíamos que o primeiro nome do big era john. e isso revela mais uma diferença entre nós e as sociedades anglo-saxônicas: para nós – e isso se reflete na dramaturgia – nome é o primeiro nome, o sobrenome, ou mesmo o apelido.

mas para eles, nome é charlotte york, trey macdougal, harry goldenblatt. charlotte é wasp to the core; trey, igualmente wasp, parecia a combinação perfeita; que charlotte encontrasse felicidade ao lado do judeu harry... is quite something!

a nossa dramaturgia também conta estórias de encontros e desencontros sócio-étnico-econômicos. e é claro que uma parte dessas estórias se conta pelos nomes dos personagens. a diferença é que no mundo anglo-saxônico, sobretudo em nyc, uma parte ENORME dessas estórias se conta pelos nomes dos personagens.

esse artigo da ann marlowe nos dá uma idéia da dimensão de códigos de nomes e sobrenomes na nyc dos ricos e poderosos. aliás, o artigo foi publicado no new york observer, qg dos ricos e poderosos de nyc – o jornal onde candace bushnell publicava as colunas originais de satc.

o mais divertido é que a autora é, ela mesma, uma falsa wasp: seu tio-avô, um advogado judeu, anglicizou seu sobrenome marlowitz para marlowe. e seus pais deram-lhe a decorously wasp-y first name (ann, e não annE) e um middle name (rachel) clássico o suficiente para não revelar sua etnia. isso tudo porque, ela nos lembra, imigrantes que chegavam à classe média educavam seus filhos para penetrar o universo wasp.

http://www.observer.com/node/37490

é claro que nada disso importa quando você já é madonna ou the donald. mas me parece que esses códigos de nomes e sobrenomes estão bem mais fracos em são paulo do que em nyc, e na dramaturgia brasileira do que na americana: uma nova montagem de “os ossos do barão” precisaria de um personagem só para ajudar a audiência a decifrá-los.

mas você sabe mais sobre tudo isso do que eu. não só porque é um roteirista (e membro da academia brasileira de cinema), mas também porque você é quatrocentão até a alma – e eu, uma suiço-italianinha cujos ancestrais vieram ao brasil arar as terras dos seus. caramba! ficou parecendo um verso de you’re the top!

mas, acredite, há quinze anos ouvi isso de uma amiga mega-quatrocentona – eu havia dito que o anel de brasão da família, que ela herdara do seu bisavô, estava um pouco pesado na sua mão tão delicada. mmmm... se fizéssemos um filme sobre a minha vida, colocaríamos joan crawford para interpretá-la, não tony? para fazer você (no pun intended!) eu colocaria javier bardem. para me fazer... uma naomi watts castanha!

beijo grande

Alexandre Lucas disse...

O vídeo não está mais disponível... Alguém fez o favor de salvar???