Trair a minha confiança é uma coisa. Outra, e bem mais perversa, é fazê-lo na semana em que – como você sabia – a minha família lembra um ano da morte dos meus sobrinhos Rafaella e Caio no acidente da TAM. What a sense of timing! Que compaixão! Que sensibilidade! Você é assim – uma superpessoa!
Espera: Tô ouvindo alguma coisa. Ei, é uma mensagem do universo pra você: "Ardil atrai ardil, crueldade atrai crueldade – você colhe o que você planta!" Olha, os Beatles também estão aqui pedindo para avisá-lo que "in the end, the love you take is equal to the love you make".
Divindade, se sou eu que crio a minha realidade, que parte de mim criou essa situação? Porque meu trabalho de criação não resulta na realidade que quero? Me ajuda? Por favor limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
terça-feira, 15 de julho de 2008
domingo, 13 de julho de 2008
EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ! 3
Há uns poucos meses aprendi mais algumas lições sobre o ho’oponopono. Compartilho aqui quatro delas. (Se você não acredita em nada disso, ao menos divirta-se imaginando a sua trilha sonora para essa série de posts. Que tal Twilight Zone? A minha trilha sonora, essa eu já escolhi.)
Uno. Posso usar o ho’oponopono não só quando eu vejo um problema, uma doença no outro – mas sobretudo quando eu vejo um problema, uma doença em mim. Para usar a metáfora do post e-love-2, posso usar o ho’oponopono quando eu me dou conta que passei, nos meus relacionamentos, a jogar tênis. Ou, pior, esconde-esconde e queimada. Ouch!
Dos. O ho’oponopono requer que eu assuma completa responsabilidade pelo problema, pela doença. Se eu o vejo em mim ou no outro ou no mundo, não importa: Eu criei esse problema, essa doença. Aliás, eu não criei apenas esse problema, essa doença: Eu criei toda a minha realidade, eu criei toda a realidade do meu mundo.
Tres. Responsabilidade é uma coisa. Outra coisa, e muito diferente, é culpa. Talvez sentir culpa consista em carregar algum fardo, a executar algum auto-flagelo. Assumir responsabilidade é conscientizar-me de que eu poderia ter feito melhor – e em seguida fazer esse melhor: Pedir desculpas, reparar o dano que eu causei, transformar os meus comportamentos.
Catorce. Não dá para fazer tudo isso sozinha, não é? Um lado meu (a Vítima?) logo trataria, como as crianças na minha roda de leitura, de me defender: Foi ela que começou! Um outro lado meu (a Superior?) decretaria: You know what? I am what I am. F@*k you! Um outro ainda (a Louca?) decidiria – oops, paro por aqui. Mas vocês entenderam: Não dá para fazer tudo isso sozinha. Então peço ajuda à força divina. Assim:
Divindade, limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
A minha trilha sonora para essa série de posts? É a maravilhosa At the Hop, do delicioso Devendra Banhart. Não tem nada a ver com ho’oponopono, eu sei. Mas Devendra recolocou o xamanismo no mundo pop. Jallalla!
Uno. Posso usar o ho’oponopono não só quando eu vejo um problema, uma doença no outro – mas sobretudo quando eu vejo um problema, uma doença em mim. Para usar a metáfora do post e-love-2, posso usar o ho’oponopono quando eu me dou conta que passei, nos meus relacionamentos, a jogar tênis. Ou, pior, esconde-esconde e queimada. Ouch!
Dos. O ho’oponopono requer que eu assuma completa responsabilidade pelo problema, pela doença. Se eu o vejo em mim ou no outro ou no mundo, não importa: Eu criei esse problema, essa doença. Aliás, eu não criei apenas esse problema, essa doença: Eu criei toda a minha realidade, eu criei toda a realidade do meu mundo.
Tres. Responsabilidade é uma coisa. Outra coisa, e muito diferente, é culpa. Talvez sentir culpa consista em carregar algum fardo, a executar algum auto-flagelo. Assumir responsabilidade é conscientizar-me de que eu poderia ter feito melhor – e em seguida fazer esse melhor: Pedir desculpas, reparar o dano que eu causei, transformar os meus comportamentos.
Catorce. Não dá para fazer tudo isso sozinha, não é? Um lado meu (a Vítima?) logo trataria, como as crianças na minha roda de leitura, de me defender: Foi ela que começou! Um outro lado meu (a Superior?) decretaria: You know what? I am what I am. F@*k you! Um outro ainda (a Louca?) decidiria – oops, paro por aqui. Mas vocês entenderam: Não dá para fazer tudo isso sozinha. Então peço ajuda à força divina. Assim:
Divindade, limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
A minha trilha sonora para essa série de posts? É a maravilhosa At the Hop, do delicioso Devendra Banhart. Não tem nada a ver com ho’oponopono, eu sei. Mas Devendra recolocou o xamanismo no mundo pop. Jallalla!
Marcadores:
Ego eimi,
Espiritualidade,
Minha Trilha Sonora
EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ! 2
Postado originariamente em 13/2/2007, EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ! 2
Na estrada perigosamente molhada que liga Brasília a Luziânia, um Gol Turbo preto ultrapassa-nos em alta velocidade. Cinco, dez quilômetros à frente vemos uma motociclista, macacão de nylon e capacete, caída no chão, algumas peças ao seu redor. Ela se levanta com dificuldade e apressa-se para o canteiro que divide a estrada. Um pouco adiante, no acostamento, vemos estacionado o Gol Turbo preto. O motorista salta do carro, atravessa a pista em direção à motociclista, mesmo se lança, se projeta em sua direção, nenhuma atenção no fluxo de carros e caminhões. Ele encontra a motociclista no canteiro, olha-a nos olhos, e logo a abraça.
“Eu sinto muito, eu amo você!”, eu e o Thomas o imaginamos dizendo.
Na estrada perigosamente molhada que liga Brasília a Luziânia, um Gol Turbo preto ultrapassa-nos em alta velocidade. Cinco, dez quilômetros à frente vemos uma motociclista, macacão de nylon e capacete, caída no chão, algumas peças ao seu redor. Ela se levanta com dificuldade e apressa-se para o canteiro que divide a estrada. Um pouco adiante, no acostamento, vemos estacionado o Gol Turbo preto. O motorista salta do carro, atravessa a pista em direção à motociclista, mesmo se lança, se projeta em sua direção, nenhuma atenção no fluxo de carros e caminhões. Ele encontra a motociclista no canteiro, olha-a nos olhos, e logo a abraça.
“Eu sinto muito, eu amo você!”, eu e o Thomas o imaginamos dizendo.
sábado, 12 de julho de 2008
EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ!
Postado originariamente em 13/2/2007, EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ!
No ISH lemos um texto sobre uma prática de cura do xamanismo havaiano, ho’oponopono. Essa prática nos lembra que o outro não é o outro: O outro só existe como reflexo, como projeção de mim mesma, só está no meu universo para me ensinar algo sobre mim mesma.
Se eu vejo no outro um problema, uma doença – Lúcia don’t preach! Devo antes encontrar esse problema, essa doença em mim, e curar a mim mesma! Curando a mim mesma eu curo o outro, eu curo o meu mundo, eu curo o mundo.
O amor, diz o ho’oponopono, é a melhor forma de cura. Basta que eu invoque o espírito do amor, sem pensar em algo ou alguém em particular, para que o amor cure dentro de mim o problema ou a doença que vejo no outro. Basta que eu repita e repita “eu sinto muito, eu amo você!”.
No ISH lemos um texto sobre uma prática de cura do xamanismo havaiano, ho’oponopono. Essa prática nos lembra que o outro não é o outro: O outro só existe como reflexo, como projeção de mim mesma, só está no meu universo para me ensinar algo sobre mim mesma.
Se eu vejo no outro um problema, uma doença – Lúcia don’t preach! Devo antes encontrar esse problema, essa doença em mim, e curar a mim mesma! Curando a mim mesma eu curo o outro, eu curo o meu mundo, eu curo o mundo.
O amor, diz o ho’oponopono, é a melhor forma de cura. Basta que eu invoque o espírito do amor, sem pensar em algo ou alguém em particular, para que o amor cure dentro de mim o problema ou a doença que vejo no outro. Basta que eu repita e repita “eu sinto muito, eu amo você!”.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
O SEU OLHAR AINDA MELHORA O MEU
Postado originariamente em 9/7/2007, O SEU OLHAR MELHORA O MEU. Desde então muita coisa aconteceu na minha vida – mas não conheci ninguém com uma narrativa como a da Ludeju. Feliz aniversário!
“Jallalla!” Quando ela começa a falar com aquela voz grave e linda, a Ludeju tem toda a minha atenção, os meus sentidos, a minha emoção. Ela não vai reportar uma idéia, uma sensação, um sentimento – enfim, ela não vai apresentar-me (apresentar-nos) algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia. Não. Como é que eu explico? É como se a Ludeju fosse tecer, fabricar, compor essa idéia, essa sensação, esse sentimento comigo – palavra por palavra, gesto por gesto, olhar por olhar.
Mal começo a dar forma às suas palavras, seus gestos, seus olhares – e a Ludeju salta para uma segunda idéia, sensação ou sentimento. Sem que eu perceba a conexão entre eles, ou intua aonde a Ludeju quer chegar. Por alguns instantes perco-me na profusão, na exuberância dessas palavras, gestos, olhares, pausas, entonações, posturas. Tudo isso para que mesmo? Para onde estamos indo? E então a Ludeju salta para uma terceira idéia. E outra, e outra.
E chega o momento em que essas idéias para mim incompletas e até então estanques começam a dialogar, a se cruzar, a se entrelaçar. E como camadas numa tela de Beatriz Milhazes, ou como núcleos de personagens num filme de Robert Altman ou Alejandro González Iñárritu, essas idéias inicialmente estanques encaixam-se, combinam-se, completam-se... para compor algo surpreendente, revelador!
Será que me fiz entender? E se eu tentasse de outro modo? O que a Ludeju não faz – apresentar algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia –, isso eu disse bem. Mas o que ela faz, então? Ela cria uma conexão? Sim, mas isso é amplo demais. E se eu disser que ela me transporta ao seu mundo interno? Assim começou melhor. E lá, eu no seu mundo interno – ou ela no meu mundo interno, vai saber –, lá a Ludeju faz com que eu pense com ela uma idéia, tenha com ela uma sensação, sinta com ela um sentimento. E quando ela anuncia – jallalla! – que disse o que tinha a dizer, não é mais a idéia da Ludeju, a sensação da Ludeju, o sentimento da Ludeju. Essa idéia, essa sensação, esse sentimento... agora são meus também! E com eles meu horizonte se ampliou, meu coração abriu, meu olhar melhorou.
Ficou ainda mais confuso? Barroco? Sei que não me explico bem. Talvez haja um vocabulário, no alemão ou no grego, ou entre os neologismos de Jacques Derrida, Naom Chomsky ou Martin Heidegger, um vocabulário que expresse esse pensar-com, esse ter-a-sensação-com, esse sentir-com. Ou talvez isso seja algo do qual não se fale – seja algo que apenas se sinta. Talvez o Arnaldo Antunes tenha chegado próximo ao cantar um olhar-com... um olhar que ora é seu, ora é meu.
Taí: Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, cada vez que a Ludeju aparecesse nós ouviríamos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau cantando O Seu Olhar.
“Jallalla!” Quando ela começa a falar com aquela voz grave e linda, a Ludeju tem toda a minha atenção, os meus sentidos, a minha emoção. Ela não vai reportar uma idéia, uma sensação, um sentimento – enfim, ela não vai apresentar-me (apresentar-nos) algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia. Não. Como é que eu explico? É como se a Ludeju fosse tecer, fabricar, compor essa idéia, essa sensação, esse sentimento comigo – palavra por palavra, gesto por gesto, olhar por olhar.
Mal começo a dar forma às suas palavras, seus gestos, seus olhares – e a Ludeju salta para uma segunda idéia, sensação ou sentimento. Sem que eu perceba a conexão entre eles, ou intua aonde a Ludeju quer chegar. Por alguns instantes perco-me na profusão, na exuberância dessas palavras, gestos, olhares, pausas, entonações, posturas. Tudo isso para que mesmo? Para onde estamos indo? E então a Ludeju salta para uma terceira idéia. E outra, e outra.
E chega o momento em que essas idéias para mim incompletas e até então estanques começam a dialogar, a se cruzar, a se entrelaçar. E como camadas numa tela de Beatriz Milhazes, ou como núcleos de personagens num filme de Robert Altman ou Alejandro González Iñárritu, essas idéias inicialmente estanques encaixam-se, combinam-se, completam-se... para compor algo surpreendente, revelador!
Será que me fiz entender? E se eu tentasse de outro modo? O que a Ludeju não faz – apresentar algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia –, isso eu disse bem. Mas o que ela faz, então? Ela cria uma conexão? Sim, mas isso é amplo demais. E se eu disser que ela me transporta ao seu mundo interno? Assim começou melhor. E lá, eu no seu mundo interno – ou ela no meu mundo interno, vai saber –, lá a Ludeju faz com que eu pense com ela uma idéia, tenha com ela uma sensação, sinta com ela um sentimento. E quando ela anuncia – jallalla! – que disse o que tinha a dizer, não é mais a idéia da Ludeju, a sensação da Ludeju, o sentimento da Ludeju. Essa idéia, essa sensação, esse sentimento... agora são meus também! E com eles meu horizonte se ampliou, meu coração abriu, meu olhar melhorou.
Ficou ainda mais confuso? Barroco? Sei que não me explico bem. Talvez haja um vocabulário, no alemão ou no grego, ou entre os neologismos de Jacques Derrida, Naom Chomsky ou Martin Heidegger, um vocabulário que expresse esse pensar-com, esse ter-a-sensação-com, esse sentir-com. Ou talvez isso seja algo do qual não se fale – seja algo que apenas se sinta. Talvez o Arnaldo Antunes tenha chegado próximo ao cantar um olhar-com... um olhar que ora é seu, ora é meu.
Taí: Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, cada vez que a Ludeju aparecesse nós ouviríamos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau cantando O Seu Olhar.
Marcadores:
Ego eimi,
Espiritualidade,
Fiesta,
Girlie,
Minha Trilha Sonora
sábado, 5 de julho de 2008
e-love 2
Certa vez li um artigo do Rubem Alves que dizia que relacionamentos são ou como tênis ou como frescobol. Esses são jogos muito parecidos: Em ambos há dois jogadores, duas raquetes, uma bola. Mas o barato do tênis é lançar a bola de modo que o outro não consiga devolvê-la: O bom jogador conhece o ponto fraco do outro, e é para lá que dirige a bola. E o barato do frescobol? É lançar a bola de modo que o outro consiga devolvê-la: Mesmo quando a bola vem meio torta, o jogador faz o maior esforço para devolvê-la no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Tênis é competitivo, frescobol é colaborativo. Ou, como diriam as minhas ameegas, tênis é carão, frescobol é carinho.
E os meus relacionamentos? Nenhum deles é 100% tênis ou 100% frescobol, pensei. Eles têm um pouco dos dois. Mas são mais como frescobol. Depois me dei conta que, na maior parte do tempo, quem ditava a regra dos meus jogos era o outro. Meu ponto de partida era frescobol – mas bastava eu receber uma bola atravessada para transformar-me numa tenista. E das vorazes.
Será que dá para estar assim no mundo – delegando tanto do meu humor, do meu estado de ânimo, da minha energia para o outro? Ah, não.
Então tomei uma decisão: O que o outro me dá é informação – eu escolho o humor, o estado de ânimo, a energia com que eu recebo e respondo a essa informação. Bom, não é fácil. Mas aos poucos estou conseguindo devolver no lugar certo, para que o outro possa pegá-la, essa bola que me vem meio torta. Acho que é um pouco o que Otis Redding chama de try a little tenderness.
Mas essa empatia, essa compaixão, essa ternura que eu lanço – será que é assim que chega ao outro?
Pois é: Nem sempre.
Teclando comigo, a Drica me diz que se sente num duelo de esgrima. Há, no que eu digo, uma certa sofisticação ou elaboração que não oferece conforto, que a deixa ansiosa, em guarda. Eu me desculpo, agradeço, digo que não é de propósito, não é consciente. Peço que ela me ajude – ela responde que sim, claro.
Grazie mille, principessa!
E os meus relacionamentos? Nenhum deles é 100% tênis ou 100% frescobol, pensei. Eles têm um pouco dos dois. Mas são mais como frescobol. Depois me dei conta que, na maior parte do tempo, quem ditava a regra dos meus jogos era o outro. Meu ponto de partida era frescobol – mas bastava eu receber uma bola atravessada para transformar-me numa tenista. E das vorazes.
Será que dá para estar assim no mundo – delegando tanto do meu humor, do meu estado de ânimo, da minha energia para o outro? Ah, não.
Então tomei uma decisão: O que o outro me dá é informação – eu escolho o humor, o estado de ânimo, a energia com que eu recebo e respondo a essa informação. Bom, não é fácil. Mas aos poucos estou conseguindo devolver no lugar certo, para que o outro possa pegá-la, essa bola que me vem meio torta. Acho que é um pouco o que Otis Redding chama de try a little tenderness.
Mas essa empatia, essa compaixão, essa ternura que eu lanço – será que é assim que chega ao outro?
Pois é: Nem sempre.
Teclando comigo, a Drica me diz que se sente num duelo de esgrima. Há, no que eu digo, uma certa sofisticação ou elaboração que não oferece conforto, que a deixa ansiosa, em guarda. Eu me desculpo, agradeço, digo que não é de propósito, não é consciente. Peço que ela me ajude – ela responde que sim, claro.
Grazie mille, principessa!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
e-love
Que coisa linda, que coisa boa começar o dia hoje com essa mensagem de texto no meu celular: “Buon giorno, principessa! Que o seu dia seja iluminado! Keep running, keep texting, keep shining. Do seu leitor.”
Grazie mille, ragazzo mio.
Grazie mille, ragazzo mio.
sábado, 28 de junho de 2008
VELOCIDADE ESTONTEANTE
Pensei em qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na minha vida de estonteante – mas daí que adjetivo restaria para qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na vida da Mallu Magalhães? Desde que postei sobre ela, em fevereiro deste ano, a Mallu foi do mundo alternativo do MySpace para o mundo mainstream da publicidade. Creio que agora tout le monde et son père conheça a paulistana fofa de quinze anos – que compôs e interpretou esse papapapa-pá delicioso do comercial da Vivo.
Kátia, o nome da canção é J1 – será que você e a Ana são co-autoras?
Kátia, o nome da canção é J1 – será que você e a Ana são co-autoras?
Marcadores:
Girlie,
Minha Trilha Sonora,
The way we live now
sexta-feira, 27 de junho de 2008
SENDO FELIZ
Desfile do Lino Villaventura no SPFW verão 2009. O segurança deixa que eu e três meninas, elas de credencial de imprensa, entremos na sala quando as luzes já se apagaram e a música já toca. Ficamos ao lado do pit dos fotógrafos, em pé – atrás de tantas outras pessoas em pé.
Uma das três meninas desabafa: “Ah, não dá pra ser feliz. Não vejo nada.” Outra responde: “Sério? Eu tô sendo muito feliz.” Eu sorrio. Elas percebem que presto atenção na conversa. Uma delas me diz: “Você tá sendo feliz.” Sim, do alto dos meus 1,81 metro de altura (en tacones), tenho uma boa visão do espetáculo de cores e formas geométricas do Lino.
À minha frente, um homem muito alto faz anotações concisas, rápidas e (imagino) precisas num bloquinho de papel. Ele tem altura, postura, estilo para estar na passarela. Aproximo-me para sentir o seu grau de felicidade. E então o reconheço: É o Alberto, de Zapping News, cobrindo o evento para o Agora São Paulo.
Se o jornalismo não der certo, Alberto, vá ser modelo!
Marcadores:
Blogueiros Bafônicos,
Fiesta,
Girlie,
The way we live now
quarta-feira, 25 de junho de 2008
ISSO É COISA QUE SE TEXTE?
Minha mãe me pergunta, com entusiasmo, sobre o casaquinho com cachecol que eu comprei para o meu cachorro Clio. O casaquinho que eu comprei do porteiro, ela esclarece. E então comenta: "Um porteiro que vende roupa de cachorro – isso eu ainda não tinha visto!"
Não é nada disso. Eu comprei, isso sim, um casaquinho com cachecol para a filhinha do porteiro do prédio onde eu moro, que nasceu há cerca de um mês. A confusão deu-se porque eu textei (ai, meus ouvidos!) essa informação para a minha irmã Marília de forma – agora reconheço – ambígua. Era algo como “comprei p bb do porteiro ksaco c kxecol mto fofo”. E a minha irmã leu, imagino, que eu havia comprado “para o meu bebê, do porteiro, um casaco com cachecol muito fofo”.
Esse esclarecimento desperta um olhar isso-é-coisa-que-se-texte? na minha mãe. What a WOMBAT, ela deve estar pensando. Para a minha mãe, a referência mais próxima do que eu lhe descrevo talvez seja o telegrama – uma comunicação que se convencionou reservar para informações de importância ou urgência. Eu não mandaria um telegrama para contar algo assim – é cla-ro. Nem ao menos faria um telefonema.
Mas e textar? Bien sûr! É tão objetivo, discreto, rápido, simples, gostoso – que se convencionou fazer mesmo para informações sem qualquer importância ou urgência. Talvez eu o use tanto porque os meus dois polegares deslizam sobre o teclado com rapidez e precisão – uma habilidade que desenvolvi em duas décadas de uso da calculadora financeira HP 12c. GFF: Uma calculadora de método antiquado (notação polonesa inversa) e design anacrônico preparou-me para os novos desafios da sociedade da informação.
YKW? Texto melhor do que muito adolescente: Quando houver um campeonato de texting por aqui, a taça é minha!
Não é nada disso. Eu comprei, isso sim, um casaquinho com cachecol para a filhinha do porteiro do prédio onde eu moro, que nasceu há cerca de um mês. A confusão deu-se porque eu textei (ai, meus ouvidos!) essa informação para a minha irmã Marília de forma – agora reconheço – ambígua. Era algo como “comprei p bb do porteiro ksaco c kxecol mto fofo”. E a minha irmã leu, imagino, que eu havia comprado “para o meu bebê, do porteiro, um casaco com cachecol muito fofo”.
Esse esclarecimento desperta um olhar isso-é-coisa-que-se-texte? na minha mãe. What a WOMBAT, ela deve estar pensando. Para a minha mãe, a referência mais próxima do que eu lhe descrevo talvez seja o telegrama – uma comunicação que se convencionou reservar para informações de importância ou urgência. Eu não mandaria um telegrama para contar algo assim – é cla-ro. Nem ao menos faria um telefonema.
Mas e textar? Bien sûr! É tão objetivo, discreto, rápido, simples, gostoso – que se convencionou fazer mesmo para informações sem qualquer importância ou urgência. Talvez eu o use tanto porque os meus dois polegares deslizam sobre o teclado com rapidez e precisão – uma habilidade que desenvolvi em duas décadas de uso da calculadora financeira HP 12c. GFF: Uma calculadora de método antiquado (notação polonesa inversa) e design anacrônico preparou-me para os novos desafios da sociedade da informação.
YKW? Texto melhor do que muito adolescente: Quando houver um campeonato de texting por aqui, a taça é minha!
Marcadores:
Ego eimi,
Parole Parole,
The way we live now
segunda-feira, 23 de junho de 2008
QUAL É A PARADA?
Quarta-feira, véspera de Corpus Christi, uns poucos dias antes da Parada Gay. Falo ao telefone com a veterinária da clínica onde o meu cachorrinho Clio treina agility: Ele teve uma parada cardíaca, ela o ressuscitou. Mas ele ainda corre risco de vida e precisa fazer, nas próximas horas, um eletrocardiograma, um ecocardiograma e um raio-X torácico.
Como é que é isso?
Como é que uma mesma palavra serve para nomear idéias tão opostas quanto parada cardíaca e Parada Gay? Para nomear a interrupção, a paralisação, a suspensão do funcionamento do coração – aquilo que, até os anos 70, era o próprio critério de morte, uma sentença de Thanatos. Mas, também, para nomear a mobilização, a participação, a celebração de um estilo de vida, de uma festa de Eros – aquilo que é o maior show da Terra, o mais magnífico, o maior e o mais grandioso espetáculo processional do mundo. Oops, essa é a street parade do circo Barnum & Bailey. Mas vocês me entendem.
O substantivo parada, no sentido de desfile ou marcha – e os seus correspondentes nas outras línguas românicas, parada (espanhol), parata (italiano), parade (francês), paradă (romeno) – vem do latim parere – de preparar, aparar, parir, esforçar-se para obter. E o verbo em português parar, no sentido de cessar – do qual parado/parada é o particípo? Vem, OMG, do mesmo latim parare – de preparar, aparar, parir, esforçar-se para obter. Segundo o Houaiss, o verbo parar só ganhou o sentido de cessar ou interromper no séc XIV. Até então, tinha o sentido de fazer, mobilizar, apresentar. Talvez daí venha parada, o desfile: Uma apresentação. Mas que o verbo parar tenha evoluído para significar o seu oposto, isso não me ajuda a eliminar o paradoxo entre os sentidos contidos em parada – apenas o confirma.
E a etimologia da palavra em inglês parade? Pois o nome Parada de Orgulho Gay é a, er, tropicalização de Gay Pride Parade – parade é uma palavra comum para desfile informal, não-militar, como em carnival parade ou Christmas parade. Bem, a palavra em inglês parede também vem do latim parere – através do moyen français parer. Isso também não me ajuda.
Fazer o que? Como dizia o meu orientador Celso Lafer na época de mestrado, talvez esse seja mais um paradoxo, contradição ou ambigüidade com o qual eu tenha que saber lidar.
QUAL É A PARADA? 2
E foi tirar esse enigma da minha cabeça para receber a sua solução. Talvez não a solução consensual e erudita, mas a solução que me faz sentido – e que mais uma vez me chega assim cantarolada, em versos do Chico Buarque:
O homem sério que contava dinheiro – parou
O faroleiro que contava vantagem – parou
A namorada que contava as estrelas – parou
Para ver, ouvir e dar passagem
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
Voilà. Quem está parada é a Avenida Paulista – para ver, ouvir e dar passagem à maior mobilização da Terra!
Como é que é isso?
Como é que uma mesma palavra serve para nomear idéias tão opostas quanto parada cardíaca e Parada Gay? Para nomear a interrupção, a paralisação, a suspensão do funcionamento do coração – aquilo que, até os anos 70, era o próprio critério de morte, uma sentença de Thanatos. Mas, também, para nomear a mobilização, a participação, a celebração de um estilo de vida, de uma festa de Eros – aquilo que é o maior show da Terra, o mais magnífico, o maior e o mais grandioso espetáculo processional do mundo. Oops, essa é a street parade do circo Barnum & Bailey. Mas vocês me entendem.O substantivo parada, no sentido de desfile ou marcha – e os seus correspondentes nas outras línguas românicas, parada (espanhol), parata (italiano), parade (francês), paradă (romeno) – vem do latim parere – de preparar, aparar, parir, esforçar-se para obter. E o verbo em português parar, no sentido de cessar – do qual parado/parada é o particípo? Vem, OMG, do mesmo latim parare – de preparar, aparar, parir, esforçar-se para obter. Segundo o Houaiss, o verbo parar só ganhou o sentido de cessar ou interromper no séc XIV. Até então, tinha o sentido de fazer, mobilizar, apresentar. Talvez daí venha parada, o desfile: Uma apresentação. Mas que o verbo parar tenha evoluído para significar o seu oposto, isso não me ajuda a eliminar o paradoxo entre os sentidos contidos em parada – apenas o confirma.
E a etimologia da palavra em inglês parade? Pois o nome Parada de Orgulho Gay é a, er, tropicalização de Gay Pride Parade – parade é uma palavra comum para desfile informal, não-militar, como em carnival parade ou Christmas parade. Bem, a palavra em inglês parede também vem do latim parere – através do moyen français parer. Isso também não me ajuda.
Fazer o que? Como dizia o meu orientador Celso Lafer na época de mestrado, talvez esse seja mais um paradoxo, contradição ou ambigüidade com o qual eu tenha que saber lidar.
QUAL É A PARADA? 2
E foi tirar esse enigma da minha cabeça para receber a sua solução. Talvez não a solução consensual e erudita, mas a solução que me faz sentido – e que mais uma vez me chega assim cantarolada, em versos do Chico Buarque:
O homem sério que contava dinheiro – parou
O faroleiro que contava vantagem – parou
A namorada que contava as estrelas – parou
Para ver, ouvir e dar passagem
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
Voilà. Quem está parada é a Avenida Paulista – para ver, ouvir e dar passagem à maior mobilização da Terra!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
MON JAPON
Para Douglas Mendez, que adoraria ter-me como amiga – eu também adoraria tê-lo como amigo!
O generoso comentário do Douglas Mendez no meu post O MEU JAPÃO chegou-me um pouco como a pequena madeleine que Marcel Proust mergulha no chá, e então saboreia.
“Invadiu-me um prazer delicioso, isolado, sem noção de sua causa”, que me levou de volta ao passado – melhor, trouxe-o para o presente: Estou de pé em frente a uma tela que retrata um homem de barba, que veste kimono, sentado no tatami em seiza ou em lótus e, a seu lado, um homem de barba, que veste calça e paletó, sentado numa cadeira. Nos meus ouvidos, tenho fones de um aparelho de audioguia. O audio transcreve uma carta que o pintor, francês, escrevera: “Mon Japon!”, ele suspira a certa hora.
O meu Japão, agora me dou conta, não é algo que eu criei ontem para expressar a minha experiência: É uma experiência de japonisme que eu ouvi num audioguia. Googlei algumas palavras e eis a tela: “Paul Alexis Lendo um Manuscrito a Zola”, de Paul Cézanne. Ocorre que a tela é parte do acervo do Masp, onde jamais fiz um tour audioguiado. Aliás, não acredito que o Masp ofereça esse serviço.
Será que eu estou criando agora esse passado? Será que eu combinei a minha experiência frente a “Paul Alexis Lendo um Manuscrito a Zola” no Masp com uma outra, como aquela frente a “Retrato de Émile Zola”, de Édouard Manet no Musée d'Orsay? Sim, pois no Musée d’Orsay fiz tours audioguiados.
Não sei. Mas é-me muito libertador, BHY, saber que, ao contrário do que argumentei em fevereiro deste ano, posso não apenas atribuir um novo significado a uma experiência do passado: Posso também mudar o meu passado.
O generoso comentário do Douglas Mendez no meu post O MEU JAPÃO chegou-me um pouco como a pequena madeleine que Marcel Proust mergulha no chá, e então saboreia.
“Invadiu-me um prazer delicioso, isolado, sem noção de sua causa”, que me levou de volta ao passado – melhor, trouxe-o para o presente: Estou de pé em frente a uma tela que retrata um homem de barba, que veste kimono, sentado no tatami em seiza ou em lótus e, a seu lado, um homem de barba, que veste calça e paletó, sentado numa cadeira. Nos meus ouvidos, tenho fones de um aparelho de audioguia. O audio transcreve uma carta que o pintor, francês, escrevera: “Mon Japon!”, ele suspira a certa hora.
O meu Japão, agora me dou conta, não é algo que eu criei ontem para expressar a minha experiência: É uma experiência de japonisme que eu ouvi num audioguia. Googlei algumas palavras e eis a tela: “Paul Alexis Lendo um Manuscrito a Zola”, de Paul Cézanne. Ocorre que a tela é parte do acervo do Masp, onde jamais fiz um tour audioguiado. Aliás, não acredito que o Masp ofereça esse serviço.
Será que eu estou criando agora esse passado? Será que eu combinei a minha experiência frente a “Paul Alexis Lendo um Manuscrito a Zola” no Masp com uma outra, como aquela frente a “Retrato de Émile Zola”, de Édouard Manet no Musée d'Orsay? Sim, pois no Musée d’Orsay fiz tours audioguiados.
Não sei. Mas é-me muito libertador, BHY, saber que, ao contrário do que argumentei em fevereiro deste ano, posso não apenas atribuir um novo significado a uma experiência do passado: Posso também mudar o meu passado.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
O MEU JAPÃO
Para três nipo-brasileiros novos ao meu mundo: Shoichi Iwashita, Too-tsie e Edson Matsuo
Certa vez li a Natalie Merchant reconhecer que era difícil continuar a ouvir algumas canções de grande sucesso do 10,000 Maniacs – canções cujas letras ela escrevera aos 17, 18 anos. Vi a Alanis Morissette falar algo semelhante sobre Jagged Little Pill, o álbum que vendeu 30 milhões de cópias – e que ela lançou aos 21 anos.
Para mim, é-me um pouco difícil até mesmo ler posts do Religare! que escrevi em fevereiro do ano passado – ou alguns que escrevi em fevereiro deste ano. Passam-se algumas poucas semanas, BHY – e agora eu já ouviria, veria e diria de forma diferente, pelo menos um pouquinho. A minha verdade já mudou, pelo menos um pouquinho – e aqui me vejo diante de uma dimensão interna do “quid est veritas?” de Pilatos.
E ler uma monografia que escrevi há 22 anos? É um desafio e tanto, BHY. Compartilhá-la com vocês? Humph. Ainda assim, resolvi disponibilizar essa monografia online.
Explico.
Em 1986 venci, com essa monografia, um concurso da Japan Airlines. Como prêmio passei, ao lado de outros 50 vencedores, de quinze países – acho que era isso –, passei dois incríveis meses vivendo no dormitório da JAL em Chiba, e estudando na Universidade de Sophia em Tóquio.
Na monografia, falo da imagem dos japoneses no Brasil – que se construiu, em muito, com a chegada do navio Kasato Maru a Santos em 18 de junho de 1908 – há cem anos! Mas, agora me dou conta, na monografia falo mesmo é do meu Japão. Depois eu elaboro um pouco.
Por ora, ao Japão de cada brasileiro, e ao japonês em cada brasileiro: Banzai!
Certa vez li a Natalie Merchant reconhecer que era difícil continuar a ouvir algumas canções de grande sucesso do 10,000 Maniacs – canções cujas letras ela escrevera aos 17, 18 anos. Vi a Alanis Morissette falar algo semelhante sobre Jagged Little Pill, o álbum que vendeu 30 milhões de cópias – e que ela lançou aos 21 anos.
Para mim, é-me um pouco difícil até mesmo ler posts do Religare! que escrevi em fevereiro do ano passado – ou alguns que escrevi em fevereiro deste ano. Passam-se algumas poucas semanas, BHY – e agora eu já ouviria, veria e diria de forma diferente, pelo menos um pouquinho. A minha verdade já mudou, pelo menos um pouquinho – e aqui me vejo diante de uma dimensão interna do “quid est veritas?” de Pilatos.
E ler uma monografia que escrevi há 22 anos? É um desafio e tanto, BHY. Compartilhá-la com vocês? Humph. Ainda assim, resolvi disponibilizar essa monografia online.
Explico.
Em 1986 venci, com essa monografia, um concurso da Japan Airlines. Como prêmio passei, ao lado de outros 50 vencedores, de quinze países – acho que era isso –, passei dois incríveis meses vivendo no dormitório da JAL em Chiba, e estudando na Universidade de Sophia em Tóquio.
Na monografia, falo da imagem dos japoneses no Brasil – que se construiu, em muito, com a chegada do navio Kasato Maru a Santos em 18 de junho de 1908 – há cem anos! Mas, agora me dou conta, na monografia falo mesmo é do meu Japão. Depois eu elaboro um pouco.
Por ora, ao Japão de cada brasileiro, e ao japonês em cada brasileiro: Banzai!
Marcadores:
Blogueiros Bafônicos,
Ego eimi,
Fiesta,
The way we live now
YESHUA BAR ABBA
Para mim, abba foi primeiro o grupo sueco pop, o de Dancing Queen e Knowing Me, Knowing You, depois um tipo de rima na poesia, onde o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro, e só então – e muito recentemente – a palavra em aramaico para pai.
Por que falo sobre isso agora?
Porque alguns estudiosos argumentam que decorre daí, do desconhecimento das palavras em aramaico para “filho de” (bar) e pai (abba), decorre daí boa parte do anti-semitismo.
Explico.
Nos textos do Novo Testamento, que foram escritos originalmente em grego koiné, Jesus dirige-se a Deus como abba ou pai. Esse dirigir-se a Deus com intimidade contrariava a tradição judaica de dirigir-se a Deus com temor ou subserviência. E teria valido a Jesus também o nome Yeshua bar Abba: Jesus, o filho do Pai.
Portanto, quando Pilatos perguntou à multidão de judeus “qual dos dois vocês querem que eu solte?”, e eles responderam “Barrabás!” – quem eles realmente queriam soltar era bar Abba, nome que foi helenizado para Barrabás.
Será que é esta a verdade? Aqui eu responderia como Pilatos: Quid est veritas?
Para os cristãos, a verdade é que Jesus é o filho de Deus encarnado. Para os muçulmanos, que ele é um dos profetas mais amados por Alá. Para os judeus, que ele não é o Messias. Para alguns historiadores e arqueólogos, que Jesus foi um líder judeu entre tantos. Para outros, que ele é um personagem fictício da mitologia cristã.
Para mim, e agora me refiro a bar Abba e Barrabás, a verdade é que essa teoria dilui o anti-semitismo. E qualquer teoria que dilui o ódio, o medo, a aversão, a discriminação a grupos de pessoas, em decorrência de etnia, nacionalidade, gênero, espiritualidade, orientação sexual, idade, necessidades especiais – qualquer teoria dessas é a minha religião.
Por que falo sobre isso agora?
Porque alguns estudiosos argumentam que decorre daí, do desconhecimento das palavras em aramaico para “filho de” (bar) e pai (abba), decorre daí boa parte do anti-semitismo.
Explico.
Nos textos do Novo Testamento, que foram escritos originalmente em grego koiné, Jesus dirige-se a Deus como abba ou pai. Esse dirigir-se a Deus com intimidade contrariava a tradição judaica de dirigir-se a Deus com temor ou subserviência. E teria valido a Jesus também o nome Yeshua bar Abba: Jesus, o filho do Pai.
Portanto, quando Pilatos perguntou à multidão de judeus “qual dos dois vocês querem que eu solte?”, e eles responderam “Barrabás!” – quem eles realmente queriam soltar era bar Abba, nome que foi helenizado para Barrabás.
Será que é esta a verdade? Aqui eu responderia como Pilatos: Quid est veritas?
Para os cristãos, a verdade é que Jesus é o filho de Deus encarnado. Para os muçulmanos, que ele é um dos profetas mais amados por Alá. Para os judeus, que ele não é o Messias. Para alguns historiadores e arqueólogos, que Jesus foi um líder judeu entre tantos. Para outros, que ele é um personagem fictício da mitologia cristã.
Para mim, e agora me refiro a bar Abba e Barrabás, a verdade é que essa teoria dilui o anti-semitismo. E qualquer teoria que dilui o ódio, o medo, a aversão, a discriminação a grupos de pessoas, em decorrência de etnia, nacionalidade, gênero, espiritualidade, orientação sexual, idade, necessidades especiais – qualquer teoria dessas é a minha religião.
Marcadores:
Ego eimi,
Espiritualidade,
Parole Parole,
The way we live now
segunda-feira, 16 de junho de 2008
ERRAMOS: YESHUA BAR YOSEF
Faça você mesmo: Entre no Google, digite Yeshua ben Yosef, e clique em Pesquisa Google. O Google buscará e encontrará 7.720 páginas da internet com o texto Yeshua ben Yosef, e listará os resultados por ordem de relevância. Este blog estará entre as três primeiras páginas de web encontradas.
E é assim, informa-me o contador do Religare!, Site Meter, que muitos vêm aqui: Em busca de Yeshua ben Yosef.
Como é que é isso? Será que o que este blog diz sobre Yeshua ben Yosef, que eu sugeri ser o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré, é mesmo tão relevante? É mais provável, agora me parece, que Yeshua ben Yosef não seja o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré.
Explico.
Jesus é a helenização de um nome em hebraico – um nome que se acredita ser ישוע .ישוע pode ser transliterado para o inglês (e para línguas românicas, imagino) como Yeshua, Yeshu ou Yehoshua – a forma preferida por estudiosos é Yeshua.
Na época do nascimento de Jesus, os judeus não usavam sobrenome: As pessoas (ao menos os homens) eram chamadas de Fulano, filho de Beltrano. Em hebraico, “filho de” é ben. Mas na época do nascimento de Jesus, o aramaico havia substituído o hebraico como língua falada. Em aramaico, “filho de” é bar. Portanto, um melhor nome verdadeiro para Jesus de Nazaré – Jesus, filho de José – é Yeshua bar Yosef.
É pouco provável que este blog tenha boa colocação numa busca Google por Yeshua bar Yosef: Yeshua bar Yosef é o nome inscrito em um ossuário de pedra calcária de cerca de dois mil anos, encontrado recentemente em Israel. Segundo documentário co-produzido por James “Titanic” Cameron e Simcha Jacobovici, e exibido milhares de vezes pelo Discovery Channel, esse ossuário guarda os restos mortais de Jesus de Nazaré – tese que, se comprovada, derrubaria a teologia da ressurreição do Filho do Homem.
E é assim, informa-me o contador do Religare!, Site Meter, que muitos vêm aqui: Em busca de Yeshua ben Yosef.
Como é que é isso? Será que o que este blog diz sobre Yeshua ben Yosef, que eu sugeri ser o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré, é mesmo tão relevante? É mais provável, agora me parece, que Yeshua ben Yosef não seja o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré.
Explico.
Jesus é a helenização de um nome em hebraico – um nome que se acredita ser ישוע .ישוע pode ser transliterado para o inglês (e para línguas românicas, imagino) como Yeshua, Yeshu ou Yehoshua – a forma preferida por estudiosos é Yeshua.
Na época do nascimento de Jesus, os judeus não usavam sobrenome: As pessoas (ao menos os homens) eram chamadas de Fulano, filho de Beltrano. Em hebraico, “filho de” é ben. Mas na época do nascimento de Jesus, o aramaico havia substituído o hebraico como língua falada. Em aramaico, “filho de” é bar. Portanto, um melhor nome verdadeiro para Jesus de Nazaré – Jesus, filho de José – é Yeshua bar Yosef.
É pouco provável que este blog tenha boa colocação numa busca Google por Yeshua bar Yosef: Yeshua bar Yosef é o nome inscrito em um ossuário de pedra calcária de cerca de dois mil anos, encontrado recentemente em Israel. Segundo documentário co-produzido por James “Titanic” Cameron e Simcha Jacobovici, e exibido milhares de vezes pelo Discovery Channel, esse ossuário guarda os restos mortais de Jesus de Nazaré – tese que, se comprovada, derrubaria a teologia da ressurreição do Filho do Homem.
Marcadores:
Erramos,
Parole Parole,
The way we live now
domingo, 15 de junho de 2008
ET VOILÀ TON JARDIN!
Veja, Kátia. Não fui acometida por uma crise de preguiça, por bloqueios generalizados, como me ocorreu no ano passado, ou mesmo por writer’s block. Se eu falasse aqui da vida alheia, imagino que sempre sairia como o som de Tim Maia, sem grilos de mim. Mas como falo da minha própria, e de coisas densas da minha própria, por vezes esbarro – não sempre numa crise de preguiça, em bloqueios generalizados ou mesmo em writer’s block. Por vezes esbarro – melhor, perco-me no universo de possibilidades de como narrar uma experiência.
Sim, porque os meus queridos leitores não vêm aqui em busca de novidade, de informação. Os meus queridos leitores já sabem que esta blogueira, embora nascida sob o signo de Áries, não quer chegar antes. Os meus queridos leitores já sabem que esta blogueira, embora nascida no ano do Coelho, não tem pressa, muita pressa. Os meus queridos leitores vêm aqui em busca de experiência. Da minha experiência onde, vai saber como, os meus queridos leitores enxergam as suas próprias.
E são muitas, e muito ricas, as experiências das últimas semanas. Estou utilizando as novas descobertas da neurociência para tornar mais doce, divertida a aprendizagem das crianças na minha roda de leitura. Aperfeiçoei algumas das minhas técnicas gastronômicas – como a de caramelização do aceto balsâmico. Apresentei aos magos do engenho & arte na Melissa-Grendene, com sucesso, certos, er, conceitos de experiência sensorial no pós-venda. Estou ajudando a administração do condomínio onde vivo a limpar o seu entulho autoritário. Estou explorando (as dores) e a delícia de trabalhar com comunicação social. Passei pela dor, às vésperas da Parada Gay, de lidar com a parada cardíaca do meu cachorrinho Clio. Estou, como diria Max Weber, buscando comprovação de que sou parte do povo eleito – entre outras coisas, participo do concurso de contos do Estadão. O meu grupo de desenvolvimento pessoal no ISH, após proposta de dissolução, avança um bocado na direção de entender, trabalhar e melhorar o intento. Salvei a fase UOL do Religare! de um inexplicável desparecimento virtual.
É. Este blog está fora do Chronos da novidade, da informação: Este blog está no Kairos da experiência. Mas nem todo mundo vêm aqui em busca de experiência. Muitos vêm aqui em busca de Yeshua ben Yosef – que, como sugiro em YESHUA BEN YOSEF, é o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré. Sobre isso falo em seguida.
Sim, porque os meus queridos leitores não vêm aqui em busca de novidade, de informação. Os meus queridos leitores já sabem que esta blogueira, embora nascida sob o signo de Áries, não quer chegar antes. Os meus queridos leitores já sabem que esta blogueira, embora nascida no ano do Coelho, não tem pressa, muita pressa. Os meus queridos leitores vêm aqui em busca de experiência. Da minha experiência onde, vai saber como, os meus queridos leitores enxergam as suas próprias.
E são muitas, e muito ricas, as experiências das últimas semanas. Estou utilizando as novas descobertas da neurociência para tornar mais doce, divertida a aprendizagem das crianças na minha roda de leitura. Aperfeiçoei algumas das minhas técnicas gastronômicas – como a de caramelização do aceto balsâmico. Apresentei aos magos do engenho & arte na Melissa-Grendene, com sucesso, certos, er, conceitos de experiência sensorial no pós-venda. Estou ajudando a administração do condomínio onde vivo a limpar o seu entulho autoritário. Estou explorando (as dores) e a delícia de trabalhar com comunicação social. Passei pela dor, às vésperas da Parada Gay, de lidar com a parada cardíaca do meu cachorrinho Clio. Estou, como diria Max Weber, buscando comprovação de que sou parte do povo eleito – entre outras coisas, participo do concurso de contos do Estadão. O meu grupo de desenvolvimento pessoal no ISH, após proposta de dissolução, avança um bocado na direção de entender, trabalhar e melhorar o intento. Salvei a fase UOL do Religare! de um inexplicável desparecimento virtual.
É. Este blog está fora do Chronos da novidade, da informação: Este blog está no Kairos da experiência. Mas nem todo mundo vêm aqui em busca de experiência. Muitos vêm aqui em busca de Yeshua ben Yosef – que, como sugiro em YESHUA BEN YOSEF, é o nome verdadeiro de Jesus de Nazaré. Sobre isso falo em seguida.
domingo, 25 de maio de 2008
ERRAMOS: LÚCIA RENNT
Do trocadilho já se disse que é o menos sofisticado dos recursos retóricos, a mais simplória forma de humor, a mais baixa manifestação de inteligência. Ainda assim, não resisto a fazer um trocadilho com o genial Run, Lola, Run de Tom Tykwer ao escolher o título do post sobre a minha amiga Julie que está sempre, er, correndo. Ou dos posts sobre as minhas bem-aventuranças e mal-andanças com a, er, corrida. Ok, é mais uma referência do que um trocadilho.
Talvez pior faux pas de redação e estilo seja transcrever palavras numa língua que não é nem aquela em que as palavras foram originalmente proferidas, nem aquela em que se escreve o resto do texto. Para dar um exemplo que talvez só eu e a minha grandeamiga Fernanda de L. achemos engraçado, ao citar trechos de A Montanha Mágica de Thomas Mann num texto em português, não use o original em francês! (Confirmado: Só eu e a Fernanda de L. achamos engraçado.)
Ainda assim, não resisto a usar o título com que o alemão Lola rennt é conhecido, diz o IMDb, na Austrália e nos Estados Unidos.
Imagino que The New York Times Manual of Style and Usage reprove ambas as escolhas. Mas vou deixar assim: Run, Lola, Run é bom pra caramba.
RUN, LÚCIA, RUN 4
Feriado de 21 de abril, 17 horas. Chego ao clube Paulistano. Tenho um encontro com a Emília na Avenida Paulista às 19 horas para assistir a My Blueberry Nights. Procrastinei o dia todo. Deixei essa janela, essa fresta entre 17 e 18 horas para treinar. Chego ao clube Paulistano mas não vou logo às esteiras. Não. Passo pelo bar, pelo café. Procuro, então me dou conta, uma Raposa ou um Gato. Não uma Raposa ou um Gato para me convencer, como ao Pinocchio, a “mangiare, bere, dormire, divertirmi e fare dalla mattina alla sera la vita del vagabondo”. Não. A minha Raposa ou o meu Gato quer a minha opinião sobre a taxa de câmbio, desabafa comigo as suas preocupações com o filho adolescente, pondera porque devo ser contra a reforma da piscina projetada por Gregori Warchavchik. Não me basta distrair-me e então concluir que ficou tarde para treinar. Não. É preciso, BHY, que eu sinta que renunciei a esse treino por um bem maior, que eu deixei de treinar por altruísmo.
Passo pelo bar, pelo café. Nada de Raposa, nada de Gato. O celular toca. É a Marise. Explico-lhe que em cinco dias farei a Reebok 10 km, que desde aquele momento Scarlett O’Hara treinei três vezes. Sim, três vezes apenas. Em dois dos treinos, corri, melhor, trotei por trinta minutos a 7 km/h; no terceiro trotei sessenta minutos a 6 km/h. Nessa velocidade é mais fácil caminhar do que correr ou trotar.
Cada um desses treinos – e eu digo agora, Fabiano, o oposto do que eu disse antes –, cada um desses treinos teve lá o seu prazer: O prazer da missão cumprida, o prazer do apesar-dos-pesares-eu-fiz, o prazer do até-que-não-foi-tão-ruim, o prazer do até-que-eu-gostei. No final de cada um desses treinos parecia que agora-vai-deslanchar, amanhã-vai-ser-tão-fácil-treinar.
Qual o quê.
O que está em jogo aqui, Marise, além da força do hábito?
Não são só quarenta anos de força do hábito, ela pondera lembrando argumento de Drauzio Varella, mas também milhares (ou mesmo milhões) de anos de herança ancestral. Fomos construídos para viver num ambiente de escassez de alimentos: Acumulamos energia na forma de gordura, poupamos energia através da preguiça. Devo fazer exercícios físicos? Claro, diz o Dr. Drauzio. Devo esperar a disposição para fazê-los? Não, a disposição jamais virá: Faça exercícios físicos com disciplina militar.
Estou muito tentada, respondo, a poupar energia e a ficar conversando com você. Silêncio. Desligou, Marise?
Claro: Marise é espiritualidade em tudo, o budismo no dia-a-dia, a pessoa mais aqui e agora que eu conheço. E aqui e agora, ela é o Grilo Falante.
Quarto treino: 45 minutos a 7 km/h.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
RUN, LÚCIA, RUN 3
Não sei o que foi, se senti dúvida, ceticismo naquele silêncio, se me senti desafiada, provocada. Só sei que foi assim, Fabiano. Senti o vigor da certeza crescendo em mim, como se o meu ego, o meu id e o meu super-id se alinhassem, como se todas as minhas células se sintonizassem e – ah, que poder, que fuerza, que yang, que mobilização, que Scarlett O'Hara jurando para si mesma "eu nunca mais vou passar fome"! Amanhã eu volto a correr, prometo para mim mesma. Já me visualizo concluindo a maratona de Nova York. Ou Paris. Ou Berlim. Que pena que já é tarde da noite, senão eu começaria aqui e agora. But tomorrow is another day, Scarlett: O dia em que darei vida ao meu eu maratonista.
Não sei bem como isso se dá, Fabiano. Mas na manhã seguinte ficar um pouco mais na minha cama apresenta-se como uma proposta irresistível de felicidade. Sair da minha cama para correr – sounds like a really bad idea. Correr de quem? Correr para que? E que eu tenha feito uma promessa a mim mesma, que hoje eu volto a correr – agora me parece algum deslize de bom-senso, algo movido por vaidade, por orgulho. Volto a dormir.
Não sei bem como isso se dá, Fabiano. Mas na manhã seguinte ficar um pouco mais na minha cama apresenta-se como uma proposta irresistível de felicidade. Sair da minha cama para correr – sounds like a really bad idea. Correr de quem? Correr para que? E que eu tenha feito uma promessa a mim mesma, que hoje eu volto a correr – agora me parece algum deslize de bom-senso, algo movido por vaidade, por orgulho. Volto a dormir.
RUN, LÚCIA, RUN 2
Verão de 2008. Uma amiga conta-me que ficou com um bonitão num cruzeiro de navio. Não o meu cruzeiro; outro. Envolve-se. De volta à terra firme, encontra o seu perfil orkut. Relacionamento: “Namorando”. Sniff. O que não suporto: “Mentira e traição”. Quê? Com os relacionamentos anteriores aprendi: “Que prefiro as dores da verdade às flores de mentira”. Grrr. Comunidades: “Confiança é igual virgindade”. “Fidelidade é tudo”. “Amo tudo em minha namorada”. “A verdade dói, a mentira mata”. *&%$@#!
Mentira, hipocrisia, falta de caráter, personalidade borderline? “O que você acha?”, ela me pergunta.
Faltou-me, agora me dou conta, a presença que a empatia requer. Ponho-me a fazer, bem, uma análise dessa faceta da condição humana. Por vezes, eu argumento, as pessoas identificam-se com virtudes ou hábitos que admiram – mesmo que lhes faltem. Veja o orkut. Conheço pessoas filiadas à comunidade “Adoro ler livros” que estariam melhor representadas numa comunidade “Um dia ainda termino de ler um livro”. Haveria mais honestidade se os membros de “Odeio mentira” que eu conheço migrassem para “Odeio que mintam para mim”. “Inteligência é afrodisíaca”? Os afiliados que eu conheço encontrariam mais ressonância em “Beleza e poder (mesmo em pessoas burras e superficiais) são afrodisíacos”.
Propaganda enganosa? Não, eu continuo, não necessariamente. Talvez essas pessoas estejam buscando as virtudes ou os hábitos que admiram e que lhes faltam. Talvez elas o estejam fazendo cercando-se da energia dessas virtudes ou desses hábitos – não é essa a idéia dos mantras, da programação neurolingüística? De O Segredo? Dos Vigilantes do Peso? Dos Alcoólicos Anônimos?
Mmm.
Olhemos o meu perfil no orkut, sugiro. Ao participar da comunidade “A Loca”, eu digo “seria incrível ter a energia de ir à Loca todos os domingos – o que não tenho há mais de um ano”. “CB Bar”? “Seria incrível ter a energia de ir ao CB todos os sábados – o que só tive uma vez”. “Iranian Cinema”? “Amei ter assistido a quatro filmes iranianos – o último deles, À Caminho de Kandahar, há sete anos”. Ela se anima. Com a minha filiação à comunidade “Run!”, ela argumenta, eu quero dizer “eu corro de quem me convida para correr.”
Epa! Alto lá! O que está acontecendo aqui, BHY? Só eu posso falar dos meus vícios com toda essa leveza e humor. Ah, não!, eu intervenho. Com “Run!” quero dizer “correr me faz bem, em breve voltarei a correr”.
Silêncio.
Mentira, hipocrisia, falta de caráter, personalidade borderline? “O que você acha?”, ela me pergunta.
Faltou-me, agora me dou conta, a presença que a empatia requer. Ponho-me a fazer, bem, uma análise dessa faceta da condição humana. Por vezes, eu argumento, as pessoas identificam-se com virtudes ou hábitos que admiram – mesmo que lhes faltem. Veja o orkut. Conheço pessoas filiadas à comunidade “Adoro ler livros” que estariam melhor representadas numa comunidade “Um dia ainda termino de ler um livro”. Haveria mais honestidade se os membros de “Odeio mentira” que eu conheço migrassem para “Odeio que mintam para mim”. “Inteligência é afrodisíaca”? Os afiliados que eu conheço encontrariam mais ressonância em “Beleza e poder (mesmo em pessoas burras e superficiais) são afrodisíacos”.
Propaganda enganosa? Não, eu continuo, não necessariamente. Talvez essas pessoas estejam buscando as virtudes ou os hábitos que admiram e que lhes faltam. Talvez elas o estejam fazendo cercando-se da energia dessas virtudes ou desses hábitos – não é essa a idéia dos mantras, da programação neurolingüística? De O Segredo? Dos Vigilantes do Peso? Dos Alcoólicos Anônimos?
Mmm.
Olhemos o meu perfil no orkut, sugiro. Ao participar da comunidade “A Loca”, eu digo “seria incrível ter a energia de ir à Loca todos os domingos – o que não tenho há mais de um ano”. “CB Bar”? “Seria incrível ter a energia de ir ao CB todos os sábados – o que só tive uma vez”. “Iranian Cinema”? “Amei ter assistido a quatro filmes iranianos – o último deles, À Caminho de Kandahar, há sete anos”. Ela se anima. Com a minha filiação à comunidade “Run!”, ela argumenta, eu quero dizer “eu corro de quem me convida para correr.”
Epa! Alto lá! O que está acontecendo aqui, BHY? Só eu posso falar dos meus vícios com toda essa leveza e humor. Ah, não!, eu intervenho. Com “Run!” quero dizer “correr me faz bem, em breve voltarei a correr”.
Silêncio.
Assinar:
Postagens (Atom)
