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quinta-feira, 10 de julho de 2008

O SEU OLHAR AINDA MELHORA O MEU

Postado originariamente em 9/7/2007, O SEU OLHAR MELHORA O MEU. Desde então muita coisa aconteceu na minha vida – mas não conheci ninguém com uma narrativa como a da Ludeju. Feliz aniversário!

“Jallalla!” Quando ela começa a falar com aquela voz grave e linda, a Ludeju tem toda a minha atenção, os meus sentidos, a minha emoção. Ela não vai reportar uma idéia, uma sensação, um sentimento – enfim, ela não vai apresentar-me (apresentar-nos) algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia. Não. Como é que eu explico? É como se a Ludeju fosse tecer, fabricar, compor essa idéia, essa sensação, esse sentimento comigo – palavra por palavra, gesto por gesto, olhar por olhar.

Mal começo a dar forma às suas palavras, seus gestos, seus olhares – e a Ludeju salta para uma segunda idéia, sensação ou sentimento. Sem que eu perceba a conexão entre eles, ou intua aonde a Ludeju quer chegar. Por alguns instantes perco-me na profusão, na exuberância dessas palavras, gestos, olhares, pausas, entonações, posturas. Tudo isso para que mesmo? Para onde estamos indo? E então a Ludeju salta para uma terceira idéia. E outra, e outra.

E chega o momento em que essas idéias para mim incompletas e até então estanques começam a dialogar, a se cruzar, a se entrelaçar. E como camadas numa tela de Beatriz Milhazes, ou como núcleos de personagens num filme de Robert Altman ou Alejandro González Iñárritu, essas idéias inicialmente estanques encaixam-se, combinam-se, completam-se... para compor algo surpreendente, revelador!

Será que me fiz entender? E se eu tentasse de outro modo? O que a Ludeju não faz – apresentar algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia –, isso eu disse bem. Mas o que ela faz, então? Ela cria uma conexão? Sim, mas isso é amplo demais. E se eu disser que ela me transporta ao seu mundo interno? Assim começou melhor. E lá, eu no seu mundo interno – ou ela no meu mundo interno, vai saber –, lá a Ludeju faz com que eu pense com ela uma idéia, tenha com ela uma sensação, sinta com ela um sentimento. E quando ela anuncia – jallalla! – que disse o que tinha a dizer, não é mais a idéia da Ludeju, a sensação da Ludeju, o sentimento da Ludeju. Essa idéia, essa sensação, esse sentimento... agora são meus também! E com eles meu horizonte se ampliou, meu coração abriu, meu olhar melhorou.

Ficou ainda mais confuso? Barroco? Sei que não me explico bem. Talvez haja um vocabulário, no alemão ou no grego, ou entre os neologismos de Jacques Derrida, Naom Chomsky ou Martin Heidegger, um vocabulário que expresse esse pensar-com, esse ter-a-sensação-com, esse sentir-com. Ou talvez isso seja algo do qual não se fale – seja algo que apenas se sinta. Talvez o Arnaldo Antunes tenha chegado próximo ao cantar um olhar-com... um olhar que ora é seu, ora é meu.

Taí: Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, cada vez que a Ludeju aparecesse nós ouviríamos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau cantando O Seu Olhar.

sábado, 5 de julho de 2008

e-love 2

Certa vez li um artigo do Rubem Alves que dizia que relacionamentos são ou como tênis ou como frescobol. Esses são jogos muito parecidos: Em ambos há dois jogadores, duas raquetes, uma bola. Mas o barato do tênis é lançar a bola de modo que o outro não consiga devolvê-la: O bom jogador conhece o ponto fraco do outro, e é para lá que dirige a bola. E o barato do frescobol? É lançar a bola de modo que o outro consiga devolvê-la: Mesmo quando a bola vem meio torta, o jogador faz o maior esforço para devolvê-la no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Tênis é competitivo, frescobol é colaborativo. Ou, como diriam as minhas ameegas, tênis é carão, frescobol é carinho.

E os meus relacionamentos? Nenhum deles é 100% tênis ou 100% frescobol, pensei. Eles têm um pouco dos dois. Mas são mais como frescobol. Depois me dei conta que, na maior parte do tempo, quem ditava a regra dos meus jogos era o outro. Meu ponto de partida era frescobol – mas bastava eu receber uma bola atravessada para transformar-me numa tenista. E das vorazes.

Será que dá para estar assim no mundo – delegando tanto do meu humor, do meu estado de ânimo, da minha energia para o outro? Ah, não.

Então tomei uma decisão: O que o outro me dá é informação – eu escolho o humor, o estado de ânimo, a energia com que eu recebo e respondo a essa informação. Bom, não é fácil. Mas aos poucos estou conseguindo devolver no lugar certo, para que o outro possa pegá-la, essa bola que me vem meio torta. Acho que é um pouco o que Otis Redding chama de try a little tenderness.

Mas essa empatia, essa compaixão, essa ternura que eu lanço – será que é assim que chega ao outro?

Pois é: Nem sempre.

Teclando comigo, a Drica me diz que se sente num duelo de esgrima. Há, no que eu digo, uma certa sofisticação ou elaboração que não oferece conforto, que a deixa ansiosa, em guarda. Eu me desculpo, agradeço, digo que não é de propósito, não é consciente. Peço que ela me ajude – ela responde que sim, claro.

Grazie mille, principessa!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

e-love

Que coisa linda, que coisa boa começar o dia hoje com essa mensagem de texto no meu celular: “Buon giorno, principessa! Que o seu dia seja iluminado! Keep running, keep texting, keep shining. Do seu leitor.”

Grazie mille, ragazzo mio.

sábado, 28 de junho de 2008

VELOCIDADE ESTONTEANTE

Pensei em qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na minha vida de estonteante – mas daí que adjetivo restaria para qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na vida da Mallu Magalhães? Desde que postei sobre ela, em fevereiro deste ano, a Mallu foi do mundo alternativo do MySpace para o mundo mainstream da publicidade. Creio que agora tout le monde et son père conheça a paulistana fofa de quinze anos – que compôs e interpretou esse papapapa-pá delicioso do comercial da Vivo.

Kátia, o nome da canção é J1 – será que você e a Ana são co-autoras?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

SENDO FELIZ

Desfile do Lino Villaventura no SPFW verão 2009.

O segurança deixa que eu e três meninas, elas de credencial de imprensa, entremos na sala quando as luzes já se apagaram e a música já toca. Ficamos ao lado do pit dos fotógrafos, em pé – atrás de tantas outras pessoas em pé.

Uma das três meninas desabafa: “Ah, não dá pra ser feliz. Não vejo nada.” Outra responde: “Sério? Eu tô sendo muito feliz.” Eu sorrio. Elas percebem que presto atenção na conversa. Uma delas me diz: “Você tá sendo feliz.” Sim, do alto dos meus 1,81 metro de altura (en tacones), tenho uma boa visão do espetáculo de cores e formas geométricas do Lino.

À minha frente, um homem muito alto faz anotações concisas, rápidas e (imagino) precisas num bloquinho de papel. Ele tem altura, postura, estilo para estar na passarela. Aproximo-me para sentir o seu grau de felicidade. E então o reconheço: É o Alberto, de Zapping News, cobrindo o evento para o Agora São Paulo.

Se o jornalismo não der certo, Alberto, vá ser modelo!

terça-feira, 6 de maio de 2008

FAZENDO A CLEÓPATRA

Mas por que falo de Cleópatra agora?

Porque na semana passada um, er, presentear lembrou-me desse de Cleópatra a Júlio César. Explico, Fabiano.

Você e os meus leitores, imagino, lembram-se da minha amiga Kaká, ah Libanesa, aquela que ME FAZ TÃO BEM. Pois. No final de janeiro, talvez vocês também se lembrem, ela se mudou para Dubai. Em São Paulo ela deixou dezenas de amigos, centenas de leitores, dois cachorros – y su madre Ana también.

Enfim. Noite de segunda-feira. Kaká pede que seu confidente Tony Goes atraia Ana até o prédio onde ele mora (e onde mora esta blogueira). Ela (Ana) deve buscar, naquela mesma noite, uma encomenda da Kaká, que chegou ao Tony em São Paulo por uma Paula, vindos (a encomenda e a Paula) de Dubai.

Ana chega. Tony a espera na portaria do prédio. Entrega-lhe a encomenda: Uma mala, e das grandes. E não é só isso, ele explica a uma constrangida Ana. O resto, ele precisa da ajuda da Ana para carregá-lo.

Dirigem-se ao elevador. E eis que, de trás de uma coluna, surge a audaz, ousada, linda e sexy Kaká. Em passagem-relâmpago por São Paulo, a primeira desde que se mudou para Dubai, a Libanesa presenteia su madre com, er, si mesma. Su madre está dichosísima y emocionadísima. A Kaká, vestida de Jeannie é um Gênio, não fez a egípcia: Ela fez a Cleópatra.

Mas será que foi mesmo assim?

Sim: Eu estava lá. A Kaká não me convidou para essa trama. Mas o Tony me contou, e eu me aboletei. Eu também não fiz a egípcia: Eu fiz a íntima.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

aka MR. BIG

O antenadíssimo Tony Goes, meu vizinho e blogueiro favorito, acaba de postar o muito esperado novo trailer de Sex and the City: The Movie. Kudos to Tony!

Tony diz ter gostado do que viu: As meninas, as roupas, a Jennifer Hudson, e principalmente a música-tema em versão "orquestra de Hollywood". Mas vejam, meninas, como são os homens: Passou-lhe batido o que todas nós realmente queríamos saber – o nome verdadeiro do Mr. Big. Onde já se viu um trailer revelar o que o último episódio da série deixou em segredo? Talvez por isso os produtores estejam tirando-o do ar.

O nome é John James Preston. Ah, eu sei: É tão previsivelmente wasp..! Os autores perderam a chance de nos surpreender com um sobrenome polonês, irlandês, ou mesmo muçulmano. Ou com um nome que referencie alguém do mundo real: Era esse o caso do outro namorado de Carrie, Aidan Shaw – uma homenagem ao, er, grande ator de filme pornô gay Aiden Shaw. Bom, segundo o Tony, o filme estréia em 4 de julho. Os autores têm um pouco menos de quatro meses, sete dias, cinco horas e vinte minutos para pensar num nome mais criativo.

Deixo-os com a lindíssima Blue Skies, do very-New-Yorker Irving Berlin. É essa canção, na gravação da very-divine Ella Fitzgerald, que abre o trailer de SATC: The Movie. Aqui vemos a very-girl-next-door Alice Faye cantando-a para um Mr. Big dos anos 40, Tyrone Power.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

QUEBROU, NÃO TEM MAIS JEITO

Para a Eliana, nesse fim de semana faremos uma viagem de navio. Para mim, farei a maior prática de desbloqueio de toda a minha vida – the mother of all unblocks. Viajar de navio – nunca estive num navio, e sinto náuseas até em automóveis. Estar cercada por um monte de gente o tempo todo – chega uma hora, já lhes contei, em que eu preciso estar só. Estar sob o sol, num calor de mais de 30 graus – isso, já lhes contei também, pode chegar-me como um convite à irritação. Estar cercada por uma energia "woohoo, galera!", numa rave em alto-mar – sou mais contida, acho, e funciono melhor em situações intimistas ou em cenas alternativas.

Sim, tenho ainda outros bloqueios com os quais não lidarei nesse cruzeirinho. Mas, e parafraseando New York, New York, if I can make it in this boat – I can make it anywhere. Além do mais, estou convencida de que todos os meus bloqueios se encontram no bloqueio que experimento aqui e agora. E todos os meus bloqueios se quebram no bloqueio que quebro aqui e agora.

E bloqueios são como pátrias, famílias, religiões – e preconceitos: Quebrou não tem mais jeito.

SE ELA DANÇA, EU DANÇO

Tem coisa que eu só faço se a minha irmã mais velha for comigo.

Bom, ela não é mais velha do que eu – aliás, é quinze anos mais nova. E ela não é minha irmã.

Mas é como se fosse: Tem coisa que eu só faço se a Eliana for comigo. E tem coisa que só a Eliana para me convencer a fazer.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

MMMM...

Se você não acredita nessa receita da Noviça Rebelde para sair da dor, da agonia, da ansiedade, da tristeza, essa receita de pensar nas suas coisas favoritas – o que eu posso dizer-lhe? Que isso também vai passar? Que depois da tempestade vem a bonança? Que vai ser-lhe revelado, num sonho, uma maneira de ser feliz?

Não rola?

Mmmm... E se eu disser, como a Mallu Magalhães, tchubaruba?

Ela compõe, canta, fotografa, desenha e pinta. Ela é a sensação paulistana no MySpaceMúsica. Ela tem quinze anos. Se você não souber onde a Mallu está – she'll be tchubirubing.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ENTRE GERAÇÕES 2

Lux: de são paulo a nova york, a nossa onde de amor não há quem corte
Kaká: nova york? to indo pra dubai
Lux: eu sei. tava falando da canção
Kaká: que canção, lux?
Lux: a canção do júlio barroso
Kaká: ?
Lux: da gang 90
Kaká: ?
Lux: aquela do são três horas da manhã, você me liga pra falar coisas que só a gente entende?
Kaká: ?

Deixo-os com Telefone, na interpretação deliciosa do Ira! e da fofa da Fernanda Takai. Para quem quer lembrar (ou ficar sabendo) o que era ser moderno (ou performático, como se dizia) nos anos 80, eis o vídeo da interpretação da Gang 90.

music player
I made this music player at MyFlashFetish.com.

ENTRE GERAÇÕES 1

Ela já havia mencionado uma ou outra piada de Chaves. Mas eu presumi tratar-se de uma gafe del Presidente Chávez – uma dessas que faz a delícia de la derecha latinoamericana.

Mas agora há algo que a Kaká me conta sobre um Seu Madruga, sobre a ética desse Seu Madruga, que me interessa. Algo sobre a futilidade da vingança.

Lux: me explica?
Kaká: explicar o que, lux?
Lux: quem é seu madruga?
Kaká: não sabe quem é seu madruga? :-o
Lux: não
Kaká: nunca viu chaves?
Lux: que chaves?
Kaká: no sbt?
Lux: não
Kaká: não sabe o que é chaves? :-o
Lux: sei que é um seriado mexicano. mas nunca assisti
Kaká: tá bom. é assim. o chaves mora numa vila
Lux: sim?
Lux: e então?
Kaká: ah, não vou explicar, lux. não vale a pena. é muito tosco
Lux: please? :-)
Kaká: nope

Quero muito deixar-me inspirar pela sabedoria do Seu Madruga. Mas se para tanto tenho que, en la mitad del camino de mi vida, assistir a Chaves – no, gracias!

Alguém se habilita a me dar o resuminho?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

ASSIM VOCÊ ME INSULTA

Que eu me sinta insultada é bastante raro. Não é que eu ligue o f*&$-se, como se diz: Eu preferiria que todo mundo me achasse uma fofa e me tratasse como o gênio trata o amo. Então não, não dou de ombros quando alguém me atribui um gesto, intenção ou sentimento que não fiz ou tive, quando alguém me nega ou me tira algo que me é caro. Mas daí a me sentir insultada? Nein, Danke!

Uma amiga sempre se surpreende: “Mas você vai ficar assim, como um carneirinho?” Para ela, diante de um insulto, uma provocação – e tanta coisa chega-lhe como um insulto, uma provocação – o valentão briga e o medroso foge. Tento explicar-lhe que não me senti insultada, que sou seletiva naquilo em que coloco a minha energia, que se algo me é importante vou sim negociar, mas sem necessariamente brigar. Mas o seu olhar revela outro veredicto: “Blá, blá, blá, D. Lúcia. No tienes cojones, isso sim.”

Parece que a minha amiga tem alguma razão. Afirmam alguns cientistas que temos três cérebros em um; o mais simples e instintivo deles, o reptiliano (pois se parece com o dos répteis) opera em fight or flight (luta ou fuga): Diante da sensação de perigo o valentão se enche de raiva (ou coragem) e briga; o medroso se enche de, er, medo e foge. Porém, sugerem esses cientistas, se não estou numa situação de sobrevivência, posso e devo renunciar a essa solução binária e reptiliana. É para isso que tenho o cérebro néo-cortical: Para construir múltiplos significados para os fatos diante de mim, para construir múltiplas alternativas de ação diante desses significados, e para escolher, entre esses significados e alternativas, o que fazer.

Mas esses argumentos da neurociência não funcionam para a minha amiga, uma brigona de primeira. Quando ela me conta uma briga – ah, ela não me conta uma briga; ela revive, ela ressente essa briga! E aí vem, num crescendo, a indignação, a raiva, a ira, a cólera. E no meio dessa explosão de emoções, por Iansã – não sei mais se ela está a me contar uma briga ou a brigar comigo!

E não são só as suas brigas: São as minhas também. Fidelíssima, ela enxerga pessoas brigando comigo ou me provocando, ela me alerta para essas brigas e provocações – “please, don’t be a Iago!”, eu insisto –, ela é capaz de brigar por mim uma briga que sequer reconheço!

O que eu faço com essa amiga tão fiel mas beligerante?

Já pensei em, a la Major Nelson, prendê-la numa garrafa. Ao menos nos dias de TPM, que no caso dela significa Treinada Para Matar. Francamente, não seria só facilitar a minha paz de espírito: Ser-lhe-ia um enorme serviço de gestão e prevenção de crise. Dei uma pesquisada nessa solução, mas os fatos me desanimaram: A garrafa funciona para os gênios – não para as geniosas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

GIRLS' NIGHT IN

Vanity Fair elegeu Alice Braga uma das dez fresh faces do cinema internacional. Annie Leibovitz fotografou as talentosas e muito promissoras atrizes para a capa e o recheio da edição anual de Hollywood da VF, que circula em março. Alice aparece sentada, ao centro, de vestido rosa John Galliano.

Há 22 anos eu fotografava a pequena Alice ao lado da sua prima Thais, da sua irmã Rita e de, er, mim mesma. Alice e eu aparecemos sorrindo, de cabelo molhado. Era uma divertidíssima girls’ night in numa Guaecá de friozinho e chuva.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

ELA ME FAZ TÃO BEM

Ela me encontrou, eu tava por aí, num estado emocional tão ruim. Me sentindo muito mal. Oops, esse é o Lulu Santos falando da Scarlet Moon. Mas poderia ser eu falando de quem me tirou, melhor, tirou a minha menininha rejeitada do poço.

Precisei de um monte de chutzpah para contar-lhe que, como parte de uma dinâmica no ISH, meu grupo de desenvolvimento pessoal, eu havia interagido com a minha criança interior, a minha menininha rejeitada. E fiz o exercício com uma entrega que entusiasmaria Stanislavski, o do método (de dramaturgia) de memória emotiva. Yada yada yada um choro copioso, uma tensão no grupo, uma conexão, uma catarse. Final feliz.

Final? E não é que nos dias seguintes a menininha rejeitada vira e mexe aparecia? Não sei se ela se encantou com as Barbies, as Bratz e as Pollies de 2007 – mas nada a fazia voltar aos anos 70. E o choro? Ai, ai, ai.

Mas uma coisa é ter o chutzpah para contar essa história. Outra coisa, e bem diferente, é ouvir essa história prosaica, quase bizarra, sem transformá-la em material para indignação, escárnio, desdém. Não. Essa blogueira que diverte 180 fiéis leitores todos os dias com seu raciocínio rápido, sua língua afiada e sua prosa desbocadíssima – she did not kiss and tell!

Uma solução teria sido desconversar, que ema, ema, ema, cada qual com seu problema. Não foi assim. Ou logo contar algo que a inquietasse, a preocupasse – há quem só saiba falar de si, e há quem goste de competir até em angústia. Não ela. Outra solução teria sido distrair-me, entreter-me. Sim, pois ela sabe contar um bas-fond como ninguém. Mas não ali, sua sensibilidade sussurrou-lhe. Houve – o que? Um sentir-me ouvida, compreendida, acolhida – ah, não sei. Falta-me vocabulário terapêutico para descrever essa... conexão luminosa. Pronto: Foi uma conexão luminosa!

Está certo que ela está se mudando para Dubai, esse paraíso no deserto, para ficar próxima do maridão e ter, como disse o übber blogger Carioca, vinte vezes mais felicidade e sucesso. Mas estar longe dela vai ser um enorme exercício de desapego.

Por ajudar a devolver a minha menininha aos anos 70, e por fazer à mulher que sou nos anos 2000 tão bem, Kaká... behibek!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

DANÇA COMIGO?

Adoro a energia e o movimento dessa cena de Devdas em que Aishwarya Rai e Madhuri Dixit (e mais um monte de gente linda) cantam e dançam ao som de Dola Re Dola.

Muito do vigor, da agilidade, do frescor da cena deve-se à câmera, não é mesmo? A câmera que dança deliciosamente ora com Aishwarya, ora com Madhuri – e que por vezes parece correr de uma para a outra, como que não querendo abrir mão de nenhuma. A câmera que em outras vezes encanta-se com a harmonia, a empatia entre as duas mulheres – elas não dançam para competir pela atenção de uma terceira pessoa, como é comum em duetos femininos, mas para criar conexão. A câmera que imprime a velocidade e a tensão da cena final, onde se alternam duas imagens. Numa, a câmera circunda as mulheres que, em êxtase coletivo, aproximam-se numa mandala. Na outra, a câmera gira sobre si mesma para seguir o homem de bigodão que se desloca obstinado.

Não falo uma palavra de hindi, não li ou vi Devdas. Mas esses círculos, mandalas e giros me contam que a situação (seja lá qual for) está spinning out of control: O que o homem de bigodão está por anunciar, estou certa, vai acabar com a festa.

Isso é o melhor de Bollywood. Ah, é ainda mais: Isso é o que o melhor de Bollywood se torna quando morre e vai para o céu.


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

PHYSIQUE DU RÔLE

Micro-saia, fardinha, pompons nas mãos e looking the part, Ms. Stefani deve ter engajado-se num programa espartaníssimo de malhação para ganhar o par de pernas que, mais tarde, seria eleito o mais belo da América. Sim, o vídeo tem todo tipo de pós-produção e, er, photoshopping. Mas e os talk shows para promovê-lo? Os gossip shows para denegrí-lo? The camera is merciless.

ANOTHER ONE BITES THE DUST

Courtney Love chama Gwen Stefani de cheerleader. Gwen indigna-se: "F@*k you! You want me to be a cheerleader? Well, I will be one then. And I'll rule the whole world, just you watch me."

O resto da história é Hollaback Girl. Todo mundo conhece. Sobre a canção e o vídeo, digo apenas que eu a-do-ro, que eu acho girlpower para caramba.

O que tem a minha atenção aqui é que duas mulheres nos seus 35, 40 anos falem palavrão façam uso de uma simbologia – mais: uma iconografia – das suas adolescências para expressar aquilo que as aproxima e as separa. Não consigo imaginar Daniela e Ivete recorrendo a símbolos tão longínquos. Não consigo me imaginar, nos meus 44 anos, recorrendo a símbolos até menos longínquos.

Sim, concordo com o Ludo no seu elaborado comentário a You Won’t Go to the Ball! Felizmente, e apesar da força da cultura yankee em Terra Brasilis, não estamos a replicar as dinâmicas de inclusão e exclusão social de seus high schools e colleges. Esse universo dos bailes, cheerleaders e times da escola, dos monitores e monitorados, dos jocks, druggies e nerds, dos prom kings e prom queens, dos bullies e dos, er, bullinados – esse é um universo todo americano, que nos é difícil até mesmo interpretar.

Eu tenho algumas reflexões sobre isso, sobre a minha dificuldade em interpretar esse universo. Fiz pós-graduação na University of Ottawa nos anos 80 – I know, Canada is not the 51st state. E trabalhei em Wall Street (woohoo!) nos anos 90, ao lado de um monte de baby bankers e baby traders saídos das Ivy Leagues.

Por ora vou poupá-los da minha retórica. Digo apenas que é ali, no high school, que ganha raízes a idéia americana da vida como uma competição. Uma competição onde você é um winner ou um loser.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

GIRLS' NIGHT OUT

Passamos 2007 entre os homens mais bonitos, inteligentes, divertidos e poderosos de São Paulo e Rio de Janeiro. E deles recebemos todo tipo de gentileza, convite, mimo, colo, apoio, elogio. E tudo isso por que? Tudo isso porque, se é que acredito no übber blogger Carioca, somos “supercultas, inteligentes, belas e bem-enturmadas”. Acho que vocês entenderam: Não dá para ficar longe desses fofos.

Ainda assim tivemos no finalzinho de dezembro, a Libanesa e eu, o nosso primeiro e muito exclusivo girls' night out. O que fizemos ou sobre o que conversamos não vejo sentido em contar aqui – foram coisas, como se diz nos tribunais, de foro íntimo.

Ah, morram de inveja ou de curiosidade: Não vou contar. Como diz a Libanesa, me deixem ser rica em paz. Blé!