Vira e mexe alguém se refere também à australiana Gabriella Lucia Cilmi como the new Amy Winehouse. Ela prefere ser the next Robert Plant. Não sei.
Na minha história da música, Gabriella é a nova Mallu Magalhões. Ok, a Mallu não aquele vozeirão lindamente rouco. Mas as duas compõem, interpretam, tocam. As duas têm canções em comerciais de TV – J1 para Vivo, Sweet About Me para Rexona.
E as duas têm, cada uma delas, dezesseis aninhos. Não resisto ao trocadilho: Everything's sweet about them. (Ouch!)
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
IS SAM SPARRO THE NEW MIKA?
Black and Gold e 21st Century Life não me entusiasmam. Mas adzoro a interpretação jazzy de American Boy de Sam Sparro – o australiano a quem, vira e mexe, alguém se refere como the new Mika.
He writes, he sings, he raps. Alguém sabe se ele dança?
He writes, he sings, he raps. Alguém sabe se ele dança?
IS ESTELLE THE NEW AMY WINEHOUSE?
A menos que você esteja passando 2008 em Marte, você também deve ter se pego cantarolando “take me on a trip, I'd like to go some day, take me to New York, I'd love to see L.A.". E depois, "cool down – down, don't act a fool now – now, I always act a fool – ow, ow, ain't nothing new – now, now". A deliciosa American Boy toca tanto que sua compositora e intérprete, Estelle, diz estar cansada da canção. Mas não eu.
Vira e mexe alguém se refere a Estelle como the new Amy Winehouse. Será? Estelle tratou de decretar que a música das intérpretes brancas (Amy, Duffy, Adele, Lilly Allen) do chamado novo soul britânico – bem, it ain’t soul. E que ela, Estelle, é uma garota britânica not on drugs or crazy.
Não sei se Estelle é a nova Amy Winehouse. Mas na minha primavera de 2008, American Boy is the new Umbrella. E na minha história das imagens, o seu vídeo é um ícone do branco e preto.
She writes, she sings, she raps. Ok, Estelle can’t dance – mas como diz aquele cara na cena final de Some Like it Hot, outro ícone do branco e preto, nobody’s perfect.
Nota: Esta é a versão clean edit. Sumiu do YouTube a versão dirty edit, sem edições, em que Kanye West diz "most of this press don't f*ck wit me", e onde há um close do button do Michael Jackson quando Mr. West diz "and I'm feelin like Mike at his baddest". De que se tratam essas versões clean edit? De uma infantilização do entretenimento? (Não, esta blogueira não escreve ou fala palavrões. Mas não tem problemas em lê-los ou ouví-los; aliás, tem problemas em vê-los censurados. Qualquer hora escrevo sobre essa escolha.)
Vira e mexe alguém se refere a Estelle como the new Amy Winehouse. Será? Estelle tratou de decretar que a música das intérpretes brancas (Amy, Duffy, Adele, Lilly Allen) do chamado novo soul britânico – bem, it ain’t soul. E que ela, Estelle, é uma garota britânica not on drugs or crazy.
Não sei se Estelle é a nova Amy Winehouse. Mas na minha primavera de 2008, American Boy is the new Umbrella. E na minha história das imagens, o seu vídeo é um ícone do branco e preto.
She writes, she sings, she raps. Ok, Estelle can’t dance – mas como diz aquele cara na cena final de Some Like it Hot, outro ícone do branco e preto, nobody’s perfect.
Nota: Esta é a versão clean edit. Sumiu do YouTube a versão dirty edit, sem edições, em que Kanye West diz "most of this press don't f*ck wit me", e onde há um close do button do Michael Jackson quando Mr. West diz "and I'm feelin like Mike at his baddest". De que se tratam essas versões clean edit? De uma infantilização do entretenimento? (Não, esta blogueira não escreve ou fala palavrões. Mas não tem problemas em lê-los ou ouví-los; aliás, tem problemas em vê-los censurados. Qualquer hora escrevo sobre essa escolha.)
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
RETRATO EM BRANCO E PRETO
Para K., a leitora que insiste em comentar como anônima
Em 2001, eu e a minha amiga Sílvia Helena visitamos, no Metropolitan Museum, a muito concorrida exposição de peças do guarda-roupa de Jacqueline Kennedy, nos anos em que fora primeira-dama. A grande revelação dessa exposição é que Ms. Kennedy vestia-se em tons vibrantes. Nos anos 60, jornais e revistas do mundo todo recheavam-se com imagens da primeira-dama dos Estados Unidos – mas essas eram imagens em branco e preto. Nos infinitos matizes de cinza dessas imagens, mulheres e modistas enxergavam não os tons vibrantes de tantos dos modelitos de Ms. Kennedy – mas tons sóbrios ou pastéis. E assim, em tons sóbrios ou pastéis, reproduziam esses modelitos.
Talvez nem todo mundo esteja consciente de que há infinitos matizes de cinza. Mas certamente todo mundo já viu uma imagem em branco e preto – uma imagem que retrata um fenômeno tridimensional (i.e. com altura, largura e profundidade) em uma superfície bidimensional (i.e. com altura e largura) justamente por conta dessa infinidade de matizes de cinza. E, imagino, certamente todo mundo já enxergou, nesses infinitos matizes de cinza, infinitas cores.
Que cores você enxerga neste retrato em branco e preto em que K. e eu, nas nossas adolescências, celebramos com amigos a partida do Guiga para o Atlantic College?
Em 2001, eu e a minha amiga Sílvia Helena visitamos, no Metropolitan Museum, a muito concorrida exposição de peças do guarda-roupa de Jacqueline Kennedy, nos anos em que fora primeira-dama. A grande revelação dessa exposição é que Ms. Kennedy vestia-se em tons vibrantes. Nos anos 60, jornais e revistas do mundo todo recheavam-se com imagens da primeira-dama dos Estados Unidos – mas essas eram imagens em branco e preto. Nos infinitos matizes de cinza dessas imagens, mulheres e modistas enxergavam não os tons vibrantes de tantos dos modelitos de Ms. Kennedy – mas tons sóbrios ou pastéis. E assim, em tons sóbrios ou pastéis, reproduziam esses modelitos.
Talvez nem todo mundo esteja consciente de que há infinitos matizes de cinza. Mas certamente todo mundo já viu uma imagem em branco e preto – uma imagem que retrata um fenômeno tridimensional (i.e. com altura, largura e profundidade) em uma superfície bidimensional (i.e. com altura e largura) justamente por conta dessa infinidade de matizes de cinza. E, imagino, certamente todo mundo já enxergou, nesses infinitos matizes de cinza, infinitas cores.
Que cores você enxerga neste retrato em branco e preto em que K. e eu, nas nossas adolescências, celebramos com amigos a partida do Guiga para o Atlantic College?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
ABRINDO O MAR VERMELHO
Minha amiga Ana Sofia gosta de contar que uma das coisas mais importantes que aprendeu na faculdade de Direito, onde estudamos juntas, deu-se numa aula de processo civil. Uma aula sobre prescrição e decadência. Certos direitos e certas obrigações extinguem-se depois de um certo lapso de tempo, defendeu o professor, porque não podemos revisitar o passado indefinidamente. Pra frente é que se anda, ele concluiu, um pouco à moda de Aldir Blanc ou Ary Barroso. Para a Ana Sofia esse enunciado foi um hino de libertação do passado, um ode ao contínuo reinventar-se – um Mar Vermelho a abrir-se diante dela.Tenho certeza que tive muitas, ou ao menos algumas, experiências semelhantes na faculdade – só que agora nenhuma me ocorre.
Mas me lembro de várias situações onde aprendi algo cujo valor só percebi depois, e muitas vezes aos poucos. Uma dessas situações foi apresentar e comentar, numa aula de filosofia do direito, um texto do pensador italiano Norberto Bobbio. Dell' uso delle grandi dicotomie nella teoria del diritto. Eu tinha 23 anos.
Era esperado que um mestrando trabalhasse com textos em espanhol, inglês e francês. Mas italiano? Tudo que eu sabia (sei) da língua de Dante vinha de Parole, Parole. (Fãs da Dalida: Attenzione a essa interpretação de Mina Sono! Tão incrível como aquela onde Dalida canta com um Alain Delon qui n'est pas là!) Durante muito tempo carreguei esse texto do Bobbio e um dicionário português-italiano pra cima e pra baixo, com esperança que agora, sim, rolaria. E com o auxílio luxuoso de um amigo tão inteligente quanto generoso, Marco Pelegatti, e do meu pai, que é um grande tradutor de qualquer língua – e não sou eu que digo: Ele ganhou um Prêmio Jabuti por um original em alemão –, com a ajuda deles, rolou. Debrucei-me sobre esse texto com tal afinco que ainda hoje me lembro de algumas de suas frases.
Mas a grande revelação desse texto, esse Mar Vermelho que se abre para mim aos poucos, é que certas idéias, sensações e sentimentos, só os conhecemos, ou os conhecemos melhor, pelo contraste, pela oposição. Daí o uso das grandes dicotomias na teoria do Direito, de que fala Bobbio. E também – e agora sou eu que falo – no pensamento de Platão (o mundo da razão e o mundo dos sentidos), de Santo Agostinho (Cidade de Deus e Cidade dos Homens), e de René Descartes (mente e corpo). Daí o bem e o mal do zoroastrismo (Aúra-Masda e Arimã), das religiões abraâmicas (Deus e Diabo), e dos filmes de ação de Hollywood (mocinho e bandido). Daí os contrastes nas imagens, os contrapontos na música.
Assim como não temos, a maioria de nós, um ouvido absoluto para sons, também não temos um olhar absoluto, um sentir absoluto, um pensar absoluto. Ouvimos, sentimos, pensamos, processamos e elaboramos o mundo por comparação – em relação a algum parâmetro, a alguma experiência, a algum conhecimento. Tudo é relativo, teria dito Albert Einstein.
Comparar dois elementos (daí os termos dicotomia ou dualismo), da mesma natureza, que estão em pólos opostos (daí o termo polaridades, como prefere Carl C. Jung) ajuda, pelo contraste, a conhecer cada um desses elementos opostos. E também, para os não-maniqueístas, a entender que há um espectro entre esses elementos opostos. Para usar o mais didático dos exemplos, comparar as cores preto e branco ajuda, pelo contraste, a conhecer o preto, a conhecer o branco. E a entender que há, entre o preto e o branco, infinitos matizes de cinza – daí a expressão zona cinzenta (gray zone) para aquilo que não é claramente legal ou ilegal, certo ou errado, ético ou antiético. Para quem entende que há infinitos matizes de cinza, e que o preto e o branco estão em constante transformação – voilà o yin e o yang do taoísmo e do confucionismo.E tudo isso para que mesmo?
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terça-feira, 15 de julho de 2008
EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ! 4
Trair a minha confiança é uma coisa. Outra, e bem mais perversa, é fazê-lo na semana em que – como você sabia – a minha família lembra um ano da morte dos meus sobrinhos Rafaella e Caio no acidente da TAM. What a sense of timing! Que compaixão! Que sensibilidade! Você é assim – uma superpessoa!
Espera: Tô ouvindo alguma coisa. Ei, é uma mensagem do universo pra você: "Ardil atrai ardil, crueldade atrai crueldade – você colhe o que você planta!" Olha, os Beatles também estão aqui pedindo para avisá-lo que "in the end, the love you take is equal to the love you make".
Divindade, se sou eu que crio a minha realidade, que parte de mim criou essa situação? Porque meu trabalho de criação não resulta na realidade que quero? Me ajuda? Por favor limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
Espera: Tô ouvindo alguma coisa. Ei, é uma mensagem do universo pra você: "Ardil atrai ardil, crueldade atrai crueldade – você colhe o que você planta!" Olha, os Beatles também estão aqui pedindo para avisá-lo que "in the end, the love you take is equal to the love you make".
Divindade, se sou eu que crio a minha realidade, que parte de mim criou essa situação? Porque meu trabalho de criação não resulta na realidade que quero? Me ajuda? Por favor limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
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domingo, 13 de julho de 2008
EU SINTO MUITO, EU AMO VOCÊ! 3
Há uns poucos meses aprendi mais algumas lições sobre o ho’oponopono. Compartilho aqui quatro delas. (Se você não acredita em nada disso, ao menos divirta-se imaginando a sua trilha sonora para essa série de posts. Que tal Twilight Zone? A minha trilha sonora, essa eu já escolhi.)
Uno. Posso usar o ho’oponopono não só quando eu vejo um problema, uma doença no outro – mas sobretudo quando eu vejo um problema, uma doença em mim. Para usar a metáfora do post e-love-2, posso usar o ho’oponopono quando eu me dou conta que passei, nos meus relacionamentos, a jogar tênis. Ou, pior, esconde-esconde e queimada. Ouch!
Dos. O ho’oponopono requer que eu assuma completa responsabilidade pelo problema, pela doença. Se eu o vejo em mim ou no outro ou no mundo, não importa: Eu criei esse problema, essa doença. Aliás, eu não criei apenas esse problema, essa doença: Eu criei toda a minha realidade, eu criei toda a realidade do meu mundo.
Tres. Responsabilidade é uma coisa. Outra coisa, e muito diferente, é culpa. Talvez sentir culpa consista em carregar algum fardo, a executar algum auto-flagelo. Assumir responsabilidade é conscientizar-me de que eu poderia ter feito melhor – e em seguida fazer esse melhor: Pedir desculpas, reparar o dano que eu causei, transformar os meus comportamentos.
Catorce. Não dá para fazer tudo isso sozinha, não é? Um lado meu (a Vítima?) logo trataria, como as crianças na minha roda de leitura, de me defender: Foi ela que começou! Um outro lado meu (a Superior?) decretaria: You know what? I am what I am. F@*k you! Um outro ainda (a Louca?) decidiria – oops, paro por aqui. Mas vocês entenderam: Não dá para fazer tudo isso sozinha. Então peço ajuda à força divina. Assim:
Divindade, limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
A minha trilha sonora para essa série de posts? É a maravilhosa At the Hop, do delicioso Devendra Banhart. Não tem nada a ver com ho’oponopono, eu sei. Mas Devendra recolocou o xamanismo no mundo pop. Jallalla!
Uno. Posso usar o ho’oponopono não só quando eu vejo um problema, uma doença no outro – mas sobretudo quando eu vejo um problema, uma doença em mim. Para usar a metáfora do post e-love-2, posso usar o ho’oponopono quando eu me dou conta que passei, nos meus relacionamentos, a jogar tênis. Ou, pior, esconde-esconde e queimada. Ouch!
Dos. O ho’oponopono requer que eu assuma completa responsabilidade pelo problema, pela doença. Se eu o vejo em mim ou no outro ou no mundo, não importa: Eu criei esse problema, essa doença. Aliás, eu não criei apenas esse problema, essa doença: Eu criei toda a minha realidade, eu criei toda a realidade do meu mundo.
Tres. Responsabilidade é uma coisa. Outra coisa, e muito diferente, é culpa. Talvez sentir culpa consista em carregar algum fardo, a executar algum auto-flagelo. Assumir responsabilidade é conscientizar-me de que eu poderia ter feito melhor – e em seguida fazer esse melhor: Pedir desculpas, reparar o dano que eu causei, transformar os meus comportamentos.
Catorce. Não dá para fazer tudo isso sozinha, não é? Um lado meu (a Vítima?) logo trataria, como as crianças na minha roda de leitura, de me defender: Foi ela que começou! Um outro lado meu (a Superior?) decretaria: You know what? I am what I am. F@*k you! Um outro ainda (a Louca?) decidiria – oops, paro por aqui. Mas vocês entenderam: Não dá para fazer tudo isso sozinha. Então peço ajuda à força divina. Assim:
Divindade, limpe em mim o que está contribuindo para esse problema.
Eu sinto muito.
Por favor me perdoe.
Eu amo você.
Muito obrigada.
A minha trilha sonora para essa série de posts? É a maravilhosa At the Hop, do delicioso Devendra Banhart. Não tem nada a ver com ho’oponopono, eu sei. Mas Devendra recolocou o xamanismo no mundo pop. Jallalla!
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
O SEU OLHAR AINDA MELHORA O MEU
Postado originariamente em 9/7/2007, O SEU OLHAR MELHORA O MEU. Desde então muita coisa aconteceu na minha vida – mas não conheci ninguém com uma narrativa como a da Ludeju. Feliz aniversário!
“Jallalla!” Quando ela começa a falar com aquela voz grave e linda, a Ludeju tem toda a minha atenção, os meus sentidos, a minha emoção. Ela não vai reportar uma idéia, uma sensação, um sentimento – enfim, ela não vai apresentar-me (apresentar-nos) algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia. Não. Como é que eu explico? É como se a Ludeju fosse tecer, fabricar, compor essa idéia, essa sensação, esse sentimento comigo – palavra por palavra, gesto por gesto, olhar por olhar.
Mal começo a dar forma às suas palavras, seus gestos, seus olhares – e a Ludeju salta para uma segunda idéia, sensação ou sentimento. Sem que eu perceba a conexão entre eles, ou intua aonde a Ludeju quer chegar. Por alguns instantes perco-me na profusão, na exuberância dessas palavras, gestos, olhares, pausas, entonações, posturas. Tudo isso para que mesmo? Para onde estamos indo? E então a Ludeju salta para uma terceira idéia. E outra, e outra.
E chega o momento em que essas idéias para mim incompletas e até então estanques começam a dialogar, a se cruzar, a se entrelaçar. E como camadas numa tela de Beatriz Milhazes, ou como núcleos de personagens num filme de Robert Altman ou Alejandro González Iñárritu, essas idéias inicialmente estanques encaixam-se, combinam-se, completam-se... para compor algo surpreendente, revelador!
Será que me fiz entender? E se eu tentasse de outro modo? O que a Ludeju não faz – apresentar algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia –, isso eu disse bem. Mas o que ela faz, então? Ela cria uma conexão? Sim, mas isso é amplo demais. E se eu disser que ela me transporta ao seu mundo interno? Assim começou melhor. E lá, eu no seu mundo interno – ou ela no meu mundo interno, vai saber –, lá a Ludeju faz com que eu pense com ela uma idéia, tenha com ela uma sensação, sinta com ela um sentimento. E quando ela anuncia – jallalla! – que disse o que tinha a dizer, não é mais a idéia da Ludeju, a sensação da Ludeju, o sentimento da Ludeju. Essa idéia, essa sensação, esse sentimento... agora são meus também! E com eles meu horizonte se ampliou, meu coração abriu, meu olhar melhorou.
Ficou ainda mais confuso? Barroco? Sei que não me explico bem. Talvez haja um vocabulário, no alemão ou no grego, ou entre os neologismos de Jacques Derrida, Naom Chomsky ou Martin Heidegger, um vocabulário que expresse esse pensar-com, esse ter-a-sensação-com, esse sentir-com. Ou talvez isso seja algo do qual não se fale – seja algo que apenas se sinta. Talvez o Arnaldo Antunes tenha chegado próximo ao cantar um olhar-com... um olhar que ora é seu, ora é meu.
Taí: Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, cada vez que a Ludeju aparecesse nós ouviríamos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau cantando O Seu Olhar.
“Jallalla!” Quando ela começa a falar com aquela voz grave e linda, a Ludeju tem toda a minha atenção, os meus sentidos, a minha emoção. Ela não vai reportar uma idéia, uma sensação, um sentimento – enfim, ela não vai apresentar-me (apresentar-nos) algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia. Não. Como é que eu explico? É como se a Ludeju fosse tecer, fabricar, compor essa idéia, essa sensação, esse sentimento comigo – palavra por palavra, gesto por gesto, olhar por olhar.
Mal começo a dar forma às suas palavras, seus gestos, seus olhares – e a Ludeju salta para uma segunda idéia, sensação ou sentimento. Sem que eu perceba a conexão entre eles, ou intua aonde a Ludeju quer chegar. Por alguns instantes perco-me na profusão, na exuberância dessas palavras, gestos, olhares, pausas, entonações, posturas. Tudo isso para que mesmo? Para onde estamos indo? E então a Ludeju salta para uma terceira idéia. E outra, e outra.
E chega o momento em que essas idéias para mim incompletas e até então estanques começam a dialogar, a se cruzar, a se entrelaçar. E como camadas numa tela de Beatriz Milhazes, ou como núcleos de personagens num filme de Robert Altman ou Alejandro González Iñárritu, essas idéias inicialmente estanques encaixam-se, combinam-se, completam-se... para compor algo surpreendente, revelador!
Será que me fiz entender? E se eu tentasse de outro modo? O que a Ludeju não faz – apresentar algo pronto como ela o percebe, sente, vivencia –, isso eu disse bem. Mas o que ela faz, então? Ela cria uma conexão? Sim, mas isso é amplo demais. E se eu disser que ela me transporta ao seu mundo interno? Assim começou melhor. E lá, eu no seu mundo interno – ou ela no meu mundo interno, vai saber –, lá a Ludeju faz com que eu pense com ela uma idéia, tenha com ela uma sensação, sinta com ela um sentimento. E quando ela anuncia – jallalla! – que disse o que tinha a dizer, não é mais a idéia da Ludeju, a sensação da Ludeju, o sentimento da Ludeju. Essa idéia, essa sensação, esse sentimento... agora são meus também! E com eles meu horizonte se ampliou, meu coração abriu, meu olhar melhorou.
Ficou ainda mais confuso? Barroco? Sei que não me explico bem. Talvez haja um vocabulário, no alemão ou no grego, ou entre os neologismos de Jacques Derrida, Naom Chomsky ou Martin Heidegger, um vocabulário que expresse esse pensar-com, esse ter-a-sensação-com, esse sentir-com. Ou talvez isso seja algo do qual não se fale – seja algo que apenas se sinta. Talvez o Arnaldo Antunes tenha chegado próximo ao cantar um olhar-com... um olhar que ora é seu, ora é meu.
Taí: Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, cada vez que a Ludeju aparecesse nós ouviríamos Arnaldo Antunes e Zaba Moreau cantando O Seu Olhar.
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sábado, 28 de junho de 2008
VELOCIDADE ESTONTEANTE
Pensei em qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na minha vida de estonteante – mas daí que adjetivo restaria para qualificar a velocidade com que as coisas acontecem na vida da Mallu Magalhães? Desde que postei sobre ela, em fevereiro deste ano, a Mallu foi do mundo alternativo do MySpace para o mundo mainstream da publicidade. Creio que agora tout le monde et son père conheça a paulistana fofa de quinze anos – que compôs e interpretou esse papapapa-pá delicioso do comercial da Vivo.
Kátia, o nome da canção é J1 – será que você e a Ana são co-autoras?
Kátia, o nome da canção é J1 – será que você e a Ana são co-autoras?
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
DE TOLERANTIA
Sou um pouco como naquela canção do Sam Cooke: Don’t know much about geography, don’t know much biology. Sei ainda menos sobre a teoria dos redutos, como a chamam os geógrafos, ou dos refúgios, como preferem os biólogos. A última vez em que olhei temas desse universo com rigor foi nos anos 80, quando traduzi o livro Biologia da Poluição.
Mas nasci e cresci entre cientistas. E conheço o geógrafo Aziz Ab’Saber para saber, como naquela canção do Spandau Ballet, to know this much is true: Ele é uma das pessoas mais éticas e lúcidas do país. É verdade que sou suspeita. Respeito e admiro o professor Aziz não só como homem público (o cientista, o professor, o cidadão) mas também como amigo: Os laços que unem o meu pai ao Professor Aziz, e a minha família aos Ab’Saber, são a própria definição de philia.
Também respeito e admiro o zoólogo e compositor Paulo Emílio Vanzolini, inclusive na esfera pessoal. Até os meus vinte e poucos anos, fomos vizinhos. Vizinhos de fundo. E convivi muito com os seus filhos Fernanda e Toni.
Portanto, lendo a matéria de Eduardo Geraque na Folha de São Paulo, sinto-me diante de algum tipo de erro. Alguém, e de alguma forma, cometeu um erro de discernimento ou de comunicação. E diante do que leio, eis o meu discernimento: Não, o Professor Aziz não está “nessa fase de invenção, de dizer que ele descobriu a teoria dos refúgios”, tampouco ele “colocou isso na internet”.
Como já lhes contei, procuro ser tolerante diante de certos erros de discernimento ou de comunicação – inclusive quando sou objeto desses erros. Por exemplo, também já lhes contei, quando alguém usa palavras duras como frivolidade, hipocrisia ou burrice para se referir à minha escolha de dieta vegetariana. Esclarecer-me, justificar-me, defender-me muitas vezes não vale a pena: Deixe que esses erros evanesçam. Assim é se lhe parece, diria Luigi Pirandello. Cada um pensa como pode, diria Mário Quintana.
Mas a tolerância só é uma virtude, diria André Comte-Sponville, se acompanhada de limite. E uma sugestão de apropriação indevida de tese científica, em letra impressa – no meu discernimento, aqui o limite foi ultrapassado. E, diante disso, são precisos uma retificação e um pedido de desculpas ao Professor Aziz. Não dá para fazer por menos.
E enquanto não acho (melhor: não procuro) a fotografia do meu pai com um filhote de onça no colo, a bordo de um navio numa expedição no Rio Amazonas, ilustro este post com outra foto dele – aqui no III Seminário Sobre a Realidade Amazônica. Tratei de colocar-lhe um papagaio no antebraço. Não sei se chega a causar um estranhamento, um ostranenie, como numa foto de Juergen Teller. Mas que ficou fofo, ficou.

HE’S TOTALLY LIP-SYNCHING!
Papagaio! Por Herbert Richers e a sua descendência! Esse vídeo do Spandau Ballet para True é o pior lip-synching da história das imagens! É ainda pior, Too-tsie, do que Britney Spears em Gimme More nos VMAs. É alguma brincadeira que eu não consigo entender? Se fosse Laurie Anderson ou David Byrne, eu diria que se trata de uma proposta de estranhamento. Mas aqui – está parecendo negligência, imprudência ou imperícia mesmo.
Mas nasci e cresci entre cientistas. E conheço o geógrafo Aziz Ab’Saber para saber, como naquela canção do Spandau Ballet, to know this much is true: Ele é uma das pessoas mais éticas e lúcidas do país. É verdade que sou suspeita. Respeito e admiro o professor Aziz não só como homem público (o cientista, o professor, o cidadão) mas também como amigo: Os laços que unem o meu pai ao Professor Aziz, e a minha família aos Ab’Saber, são a própria definição de philia.
Também respeito e admiro o zoólogo e compositor Paulo Emílio Vanzolini, inclusive na esfera pessoal. Até os meus vinte e poucos anos, fomos vizinhos. Vizinhos de fundo. E convivi muito com os seus filhos Fernanda e Toni.
Portanto, lendo a matéria de Eduardo Geraque na Folha de São Paulo, sinto-me diante de algum tipo de erro. Alguém, e de alguma forma, cometeu um erro de discernimento ou de comunicação. E diante do que leio, eis o meu discernimento: Não, o Professor Aziz não está “nessa fase de invenção, de dizer que ele descobriu a teoria dos refúgios”, tampouco ele “colocou isso na internet”.
Como já lhes contei, procuro ser tolerante diante de certos erros de discernimento ou de comunicação – inclusive quando sou objeto desses erros. Por exemplo, também já lhes contei, quando alguém usa palavras duras como frivolidade, hipocrisia ou burrice para se referir à minha escolha de dieta vegetariana. Esclarecer-me, justificar-me, defender-me muitas vezes não vale a pena: Deixe que esses erros evanesçam. Assim é se lhe parece, diria Luigi Pirandello. Cada um pensa como pode, diria Mário Quintana.
Mas a tolerância só é uma virtude, diria André Comte-Sponville, se acompanhada de limite. E uma sugestão de apropriação indevida de tese científica, em letra impressa – no meu discernimento, aqui o limite foi ultrapassado. E, diante disso, são precisos uma retificação e um pedido de desculpas ao Professor Aziz. Não dá para fazer por menos.
E enquanto não acho (melhor: não procuro) a fotografia do meu pai com um filhote de onça no colo, a bordo de um navio numa expedição no Rio Amazonas, ilustro este post com outra foto dele – aqui no III Seminário Sobre a Realidade Amazônica. Tratei de colocar-lhe um papagaio no antebraço. Não sei se chega a causar um estranhamento, um ostranenie, como numa foto de Juergen Teller. Mas que ficou fofo, ficou.

HE’S TOTALLY LIP-SYNCHING!
Papagaio! Por Herbert Richers e a sua descendência! Esse vídeo do Spandau Ballet para True é o pior lip-synching da história das imagens! É ainda pior, Too-tsie, do que Britney Spears em Gimme More nos VMAs. É alguma brincadeira que eu não consigo entender? Se fosse Laurie Anderson ou David Byrne, eu diria que se trata de uma proposta de estranhamento. Mas aqui – está parecendo negligência, imprudência ou imperícia mesmo.
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
FAZENDO AMOR
Sobre ações amorosas, 3
Meu aniversário é dia 18, mas já comecei a me presentear. São várias ações amorosas – para comigo. Amanhã terei o primeiro de doze encontros com a minha roda de leitura de dez crianças. Elas escolherão, para lermos juntas, um livro entre A bolsa amarela, De olho nas penas, Diário de Kaxi e Pippi Meialonga. Estou inscrita na Corrida Reebok 10 km, prova que se define com o inusitado conceito "corrida-balada". Ah, se ela corre, eu corro. (Minha linda, a festa do fetiche, como você sugere em comentário – está um pouco em cima da hora para 2008. Que tal 2009? Ou que tal se o Chico organizasse como um dos eventos dele – e nós fôssemos como convidadas?) Participo de Vida Vício Virtude, ciclo de conferências com curadoria de Adauto Novaes. Já temos (eu, Lord Herbert e Tony Goes) os ingressos para o espetáculo do muito talentoso Rufus Wainwright.
Na muito linda Going to a town, Mr. Wainwright lamenta a America que faz guerra, e nos convida a fazer amor – no one goes to hell for having loved. He's got a soul to feed, America. Eu também. E Mr. Wainwright tem ajudado-me a alimentá-la desde que eu ouvi a sua voz na Tower Records da Union Square, em 2001, cantando sobre cigarettes and chocolate milk.
Meu aniversário é dia 18, mas já comecei a me presentear. São várias ações amorosas – para comigo. Amanhã terei o primeiro de doze encontros com a minha roda de leitura de dez crianças. Elas escolherão, para lermos juntas, um livro entre A bolsa amarela, De olho nas penas, Diário de Kaxi e Pippi Meialonga. Estou inscrita na Corrida Reebok 10 km, prova que se define com o inusitado conceito "corrida-balada". Ah, se ela corre, eu corro. (Minha linda, a festa do fetiche, como você sugere em comentário – está um pouco em cima da hora para 2008. Que tal 2009? Ou que tal se o Chico organizasse como um dos eventos dele – e nós fôssemos como convidadas?) Participo de Vida Vício Virtude, ciclo de conferências com curadoria de Adauto Novaes. Já temos (eu, Lord Herbert e Tony Goes) os ingressos para o espetáculo do muito talentoso Rufus Wainwright.
Na muito linda Going to a town, Mr. Wainwright lamenta a America que faz guerra, e nos convida a fazer amor – no one goes to hell for having loved. He's got a soul to feed, America. Eu também. E Mr. Wainwright tem ajudado-me a alimentá-la desde que eu ouvi a sua voz na Tower Records da Union Square, em 2001, cantando sobre cigarettes and chocolate milk.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008
אהיה אשר אהיה
Sobre ações amorosas, 2
É claro que há um amor que se sente. E não me refiro apenas ao eros, ao amor romântico. Eu mesma já lhes mencionei uma experiência mística que tive em 2007, um sentir-me amada por um Deus pai, um abba, um papai. Ainda não estou preparada para compartilhar essa experiência aqui. Mas a quem me perguntar pessoalmente, eu conto.
Enfim. Depois da reflexão com o meu grupo de desenvolvimento pessoal no ISH, como comecei a contar em SANS LE CHOIX, JE NE SUIS RIEN, dei-me conta de que o amor de que fala A Liberdade é Azul, para o qual Paulo escolhe a palavra grega agape, traduzida para o latim como caritas – esse amor não é um sentimento. Ou, ao menos, não é só um sentimento. Bento 16, na encíclica Deus Caritas Est, diz que "o sentimento pode ser uma maravilhosa centelha inicial, mas não é a totalidade do amor". Até porque "os sentimentos vão e vêm".
O que é, então, o amor de que fala A Liberdade é Azul? Para a Cynthia e o Scott Peck, é uma ação.
Mas essa ação é desencadeada por um sentimento amoroso? Não necessariamente. A mãe age com amor com o filho que ama – e mesmo quando, chorando a noite toda, ele lhe desperta irritação ou raiva. (Bom, nem toda mãe consegue, muito menos sempre.) A nossa protagonista age com amor com a mulher que desconhece – e que, imagino, desgoste. A irmã Helen Prejean (retratada em Dead Man Walking de Tim Robbins) age com amor com o homem que assassinara dois adolescentes brutalmente – um homem que, imagino, cause-lhe algum tipo de repulsa.
E eu? Eu procuro agir com amor com alguém que eu amo quando, ali e então, esse alguém me desperta irritação ou raiva. Mas, reconheço, isso requer um bocado da minha energia: Eu também tenho um cérebro reptiliano programado para agir em modo, como diz Lenine em Do it, “se tá puto, quebre; tá feliz, requebre”. Agir com amor com alguém que desgosto? Sim, quando essa é a minha escolha. E agir com amor com alguém que desgosto requer ainda mais da minha energia – e sequer me ocorre doar-lhe a minha herança.
Com alguém que me causa algum tipo de repulsa? Bom, interajo pontualmente com pessoas que me causam algum tipo de repulsa – mas nunca cheguei a me relacionar continuamente com elas. É uma experiência muito diferente daquela da minha amicíssima Cláudia A.: Ela trabalha, dentro de uma penitencíária, como advogada de mulheres carentes em cárcere. Estou envolvida nos esforços de cultura de paz liderados, em São Paulo, pela Palas Athena – e isso envolve a luta por cidadania e dignidade para todos, inclusive aqueles que cometeram crimes hediondos. É um amor em ação? Quero acreditar que sim. Mas o exerço sem interagir com aqueles que cometeram crimes hediondos. Seria diferente se eu interagisse com eles e, conjecturo, com ao menos um pouco das suas agressividades? Talvez. Seria diferente se entre as suas vítimas estivesse alguém que eu amasse? Talvez.
Digo talvez porque eu desejaria, numa situação-limite, seguir o exemplo virtuoso e libertador de Massataka e Keiko Ota: Eles escolheram perdoar (perdoar, o que é diferente de inocentar ou deixar impunes) os homens que seqüestraram e mataram seu filho Ives, de oito anos. E fundaram uma organização de cultura de paz que, entre outras coisas, trabalha pela recuperação de presos. Mas por vezes alguma coisa se perde entre o que eu desejo fazer e o que eu consigo fazer.
Há, ainda, mais uma pergunta: Essa ação amorosa que faço por alguém que não amo, e que não é desencadeada por um sentimento amoroso – essa ação se faz seguir de um sentimento amoroso? De acordo com A Liberdade é Azul, não necessariamente. Apesar de sua ação amorosa, até o final do filme vemos a nossa protagonista rodeada de uma certa malaise. O amor que ela escolheu não lhe deu um mundo brilhante, colorido e fácil – o mundo de que fala, por exemplo, o personagem apaixonado de Gene Kelly em Singin' in the Rain. O amor que ela escolheu também não se fez acompanhar de uma sensação de alegria, felicidade ou mesmo completude. Pelo menos não lá e então. Mas libertou-a (ou ajudou a libertá-la) da vingança e do ressentimento – e isso, como atesta Ota-san ("o ódio come a gente"), é muita coisa.
Quanto à minha própria experiência, não sei. Preciso prestar um pouco mais de atenção. Provavelmente eu sinta algo mais próximo do alívio ("mantive-me centrada") do que do amor. Algo que, imagino, a Joss Stone ou a Beyoncé devem ter sentido quando o Ashton Kutcher anunciou-lhes: "You just got punk'd!".
Mas essa ação amorosa, se eu a faço por alguém que não amo, se ela não é desencadeada por um sentimento amoroso, se ela não se faz seguir de um sentimento amoroso – o que cria essa ação amorosa? E por que, entre tantos adjetivos, qualificamos essa ação como amorosa?
A encíclica Deus Caritas Est ajuda-nos com a primeira dessas perguntas: Bento 16 diz que o amor pode ser criado pela vontade. Mas não nos ajuda com a segunda dessas perguntas: Bento 16 não diz o que o amor é. Talvez, imagino, porque na visão cristã de Deus, Deus é amor. E Deus, quando Moisés perguntou-lhe o seu nome, respondeu: אהיה אשר אהיה. Eu sou o que sou. O amor, logo, é o que é.
Enquanto eu apreendo o amor que é o que é, deixo-os com (what a surprise!) uma versão remixada de Gloria Gaynor interpretando I am what I am, de La Cage aux Folles. Por muito tempo esta blogueira acreditou que I am what I am fosse o nome não de Deus – mas dessa canção.
É claro que há um amor que se sente. E não me refiro apenas ao eros, ao amor romântico. Eu mesma já lhes mencionei uma experiência mística que tive em 2007, um sentir-me amada por um Deus pai, um abba, um papai. Ainda não estou preparada para compartilhar essa experiência aqui. Mas a quem me perguntar pessoalmente, eu conto.
Enfim. Depois da reflexão com o meu grupo de desenvolvimento pessoal no ISH, como comecei a contar em SANS LE CHOIX, JE NE SUIS RIEN, dei-me conta de que o amor de que fala A Liberdade é Azul, para o qual Paulo escolhe a palavra grega agape, traduzida para o latim como caritas – esse amor não é um sentimento. Ou, ao menos, não é só um sentimento. Bento 16, na encíclica Deus Caritas Est, diz que "o sentimento pode ser uma maravilhosa centelha inicial, mas não é a totalidade do amor". Até porque "os sentimentos vão e vêm".
O que é, então, o amor de que fala A Liberdade é Azul? Para a Cynthia e o Scott Peck, é uma ação.
Mas essa ação é desencadeada por um sentimento amoroso? Não necessariamente. A mãe age com amor com o filho que ama – e mesmo quando, chorando a noite toda, ele lhe desperta irritação ou raiva. (Bom, nem toda mãe consegue, muito menos sempre.) A nossa protagonista age com amor com a mulher que desconhece – e que, imagino, desgoste. A irmã Helen Prejean (retratada em Dead Man Walking de Tim Robbins) age com amor com o homem que assassinara dois adolescentes brutalmente – um homem que, imagino, cause-lhe algum tipo de repulsa.
E eu? Eu procuro agir com amor com alguém que eu amo quando, ali e então, esse alguém me desperta irritação ou raiva. Mas, reconheço, isso requer um bocado da minha energia: Eu também tenho um cérebro reptiliano programado para agir em modo, como diz Lenine em Do it, “se tá puto, quebre; tá feliz, requebre”. Agir com amor com alguém que desgosto? Sim, quando essa é a minha escolha. E agir com amor com alguém que desgosto requer ainda mais da minha energia – e sequer me ocorre doar-lhe a minha herança.
Com alguém que me causa algum tipo de repulsa? Bom, interajo pontualmente com pessoas que me causam algum tipo de repulsa – mas nunca cheguei a me relacionar continuamente com elas. É uma experiência muito diferente daquela da minha amicíssima Cláudia A.: Ela trabalha, dentro de uma penitencíária, como advogada de mulheres carentes em cárcere. Estou envolvida nos esforços de cultura de paz liderados, em São Paulo, pela Palas Athena – e isso envolve a luta por cidadania e dignidade para todos, inclusive aqueles que cometeram crimes hediondos. É um amor em ação? Quero acreditar que sim. Mas o exerço sem interagir com aqueles que cometeram crimes hediondos. Seria diferente se eu interagisse com eles e, conjecturo, com ao menos um pouco das suas agressividades? Talvez. Seria diferente se entre as suas vítimas estivesse alguém que eu amasse? Talvez.
Digo talvez porque eu desejaria, numa situação-limite, seguir o exemplo virtuoso e libertador de Massataka e Keiko Ota: Eles escolheram perdoar (perdoar, o que é diferente de inocentar ou deixar impunes) os homens que seqüestraram e mataram seu filho Ives, de oito anos. E fundaram uma organização de cultura de paz que, entre outras coisas, trabalha pela recuperação de presos. Mas por vezes alguma coisa se perde entre o que eu desejo fazer e o que eu consigo fazer.
Há, ainda, mais uma pergunta: Essa ação amorosa que faço por alguém que não amo, e que não é desencadeada por um sentimento amoroso – essa ação se faz seguir de um sentimento amoroso? De acordo com A Liberdade é Azul, não necessariamente. Apesar de sua ação amorosa, até o final do filme vemos a nossa protagonista rodeada de uma certa malaise. O amor que ela escolheu não lhe deu um mundo brilhante, colorido e fácil – o mundo de que fala, por exemplo, o personagem apaixonado de Gene Kelly em Singin' in the Rain. O amor que ela escolheu também não se fez acompanhar de uma sensação de alegria, felicidade ou mesmo completude. Pelo menos não lá e então. Mas libertou-a (ou ajudou a libertá-la) da vingança e do ressentimento – e isso, como atesta Ota-san ("o ódio come a gente"), é muita coisa.
Quanto à minha própria experiência, não sei. Preciso prestar um pouco mais de atenção. Provavelmente eu sinta algo mais próximo do alívio ("mantive-me centrada") do que do amor. Algo que, imagino, a Joss Stone ou a Beyoncé devem ter sentido quando o Ashton Kutcher anunciou-lhes: "You just got punk'd!".
Mas essa ação amorosa, se eu a faço por alguém que não amo, se ela não é desencadeada por um sentimento amoroso, se ela não se faz seguir de um sentimento amoroso – o que cria essa ação amorosa? E por que, entre tantos adjetivos, qualificamos essa ação como amorosa?
A encíclica Deus Caritas Est ajuda-nos com a primeira dessas perguntas: Bento 16 diz que o amor pode ser criado pela vontade. Mas não nos ajuda com a segunda dessas perguntas: Bento 16 não diz o que o amor é. Talvez, imagino, porque na visão cristã de Deus, Deus é amor. E Deus, quando Moisés perguntou-lhe o seu nome, respondeu: אהיה אשר אהיה. Eu sou o que sou. O amor, logo, é o que é.
Enquanto eu apreendo o amor que é o que é, deixo-os com (what a surprise!) uma versão remixada de Gloria Gaynor interpretando I am what I am, de La Cage aux Folles. Por muito tempo esta blogueira acreditou que I am what I am fosse o nome não de Deus – mas dessa canção.
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segunda-feira, 31 de março de 2008
CADA UM COM O SEU FETICHE
Há cerca de dez anos Ana Fadigas, então editora da Sexy, convidou-me para ter meus pés fotografados para um ensaio para a revista. Recebi aquele convite com um je ne sais quoi de indignação. Que parte de mim, pensei, está sugerindo que eu não sou uma moça pheena? Estávamos no spa Sete Voltas, onde havíamos nos conhecido há alguns dias. E interagíamos, até então, em torno de temas intelectualizados – como a modernização editorial do Estadão, da qual ela havia participado ativamente.
Desde então, acredito que mudei eu – e os tempos também. Primeiro, hoje eu receberia esse convite como um elogio, e provavelmente o aceitaria. Ok, Sexy não é Dazed & Confused ou In Style – mas seriam só os meus pés. Segundo, hoje eu presumiria que esse convite refletiria a opinião da Ana sobre os meus pés – e não sobre o tipo de moça que eu sou. Por fim, na época eu imaginava que pés eram um entre dez ou doze fetiches – hoje eu sei que são um entre milhares.
Nas últimas semanas conheci mais dois desses milhares de fetiches.
Através do Tony Goes conheci o blog Sem bolso. São histórias do Daniel, um jovem brasileiro que estuda em Londres, e que se mantém fazendo faxina pelado. De roupa, imagino, ele ganharia seis ou sete libras por hora. Pelado, ele nos conta, ganha vinte libras por hora. Como isso também é novidade para o Daniel, ele nos brinda com uma versão terceiro milênio de Entfremdung – o estranhamento do trabalho de que fala Karl Marx. Em inglês esse fetiche se chama nude cleaning.
Através de uma amiga, que por ora manterei anônima, conheci o site 89. Talvez ela não se oponha a ser identificada: No seu blog ela já falou do seu amigo Richard – e ele é, er, battery-operated. Enfim, pensei tratar-se de um movimento pela volta do rock'n roll na rádio 89. Nope! Trata-se de material pornográfico altamente segmentado e organizado por gênero, etnia, atributos físicos, idade, prática, fetiche. Sim, como num menu. (Só sexo consentido, por pessoas em maioridade sexual.)
Para se ter acesso a esse universo de imagens, é preciso fornecer o número do cartão de crédito. Mas há amostras grátis, algumas das quais eu provei. Amigos, digamos que essas imagens não deixam nada à imaginação. Digamos que foram produzidas a dez dólares por hora. Digamos que não é o sexo de Victoria Abril e Javier Bardem em Entre las Piernas, ou de Victoria Abril e Antonio Bandeiras em ¡Átame! BHY, sobre essa cena,BHY, eu e o meu ex-marido Raphael tivemos o privilégio de conversar com Pedro Almodóvar na noite de autógrafos de Patty Diphusa em Nova York. Qualquer hora eu conto a história.
Enfim. No meio de imagens muito explícitas no 89, a que me causou um, er, estranhamento foi a de duas moças de lingerie, sentadas numa cama, enchendo bexigas, dessas de aniversário. Et ça c’est tout. Em inglês esse fetiche se chama ballooning.
A trilha sonora desse post é 99 Luftballons. Aqui a muito engajada Nena nos fala de bexigas que são soltas para protestar contra uma nova corrida armamentista, no começo dos anos 80, entre Estados Unidos e União Soviética. Muita coisa mudou desde então. E não falo apenas da ordem geopolítica ou do corte de cabelo de roqueiros. Hoje, soltar um monte de bexigas para protestar ou celebrar é um no-no ambiental: Bexigas são muito lindas no ar – mas causam danos terríveis quando retornam à terra ou à água. E como bem sabem os atores do 89, tudo que sobe, desce.
Desde então, acredito que mudei eu – e os tempos também. Primeiro, hoje eu receberia esse convite como um elogio, e provavelmente o aceitaria. Ok, Sexy não é Dazed & Confused ou In Style – mas seriam só os meus pés. Segundo, hoje eu presumiria que esse convite refletiria a opinião da Ana sobre os meus pés – e não sobre o tipo de moça que eu sou. Por fim, na época eu imaginava que pés eram um entre dez ou doze fetiches – hoje eu sei que são um entre milhares.
Nas últimas semanas conheci mais dois desses milhares de fetiches.
Através do Tony Goes conheci o blog Sem bolso. São histórias do Daniel, um jovem brasileiro que estuda em Londres, e que se mantém fazendo faxina pelado. De roupa, imagino, ele ganharia seis ou sete libras por hora. Pelado, ele nos conta, ganha vinte libras por hora. Como isso também é novidade para o Daniel, ele nos brinda com uma versão terceiro milênio de Entfremdung – o estranhamento do trabalho de que fala Karl Marx. Em inglês esse fetiche se chama nude cleaning.
Através de uma amiga, que por ora manterei anônima, conheci o site 89. Talvez ela não se oponha a ser identificada: No seu blog ela já falou do seu amigo Richard – e ele é, er, battery-operated. Enfim, pensei tratar-se de um movimento pela volta do rock'n roll na rádio 89. Nope! Trata-se de material pornográfico altamente segmentado e organizado por gênero, etnia, atributos físicos, idade, prática, fetiche. Sim, como num menu. (Só sexo consentido, por pessoas em maioridade sexual.)
Para se ter acesso a esse universo de imagens, é preciso fornecer o número do cartão de crédito. Mas há amostras grátis, algumas das quais eu provei. Amigos, digamos que essas imagens não deixam nada à imaginação. Digamos que foram produzidas a dez dólares por hora. Digamos que não é o sexo de Victoria Abril e Javier Bardem em Entre las Piernas, ou de Victoria Abril e Antonio Bandeiras em ¡Átame! BHY, sobre essa cena,
Enfim. No meio de imagens muito explícitas no 89, a que me causou um, er, estranhamento foi a de duas moças de lingerie, sentadas numa cama, enchendo bexigas, dessas de aniversário. Et ça c’est tout. Em inglês esse fetiche se chama ballooning.
A trilha sonora desse post é 99 Luftballons. Aqui a muito engajada Nena nos fala de bexigas que são soltas para protestar contra uma nova corrida armamentista, no começo dos anos 80, entre Estados Unidos e União Soviética. Muita coisa mudou desde então. E não falo apenas da ordem geopolítica ou do corte de cabelo de roqueiros. Hoje, soltar um monte de bexigas para protestar ou celebrar é um no-no ambiental: Bexigas são muito lindas no ar – mas causam danos terríveis quando retornam à terra ou à água. E como bem sabem os atores do 89, tudo que sobe, desce.
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quarta-feira, 26 de março de 2008
CADA UM PENSA COMO PODE
Reflexões sobre eu e o álcool, 4
Querido Alberto. Comecei respondendo ao seu instigante comentário ao meu post ASSIM SOU SE LHE PAREÇO, que “beber tem que ser sempre uma opção; coagir o outro a qualquer ato é imoral”, e quando me dou conta – escrevi todo um novo post.
Para beber, não me sinto objeto de coação – mas sim de uma expectativa fuerte. Para algumas pessoas, como disse o Alê Bom à Bessa (ouch!), não beber é uma ofensa. Mas a expectativa fuerte do outro é problema dele, não? O meu problema é não me deixar levar por ela. Mas isso às vezes, humph, é um trabalho em tempo integral.
Ah, algumas pessoas tendem a levar as coisas para o lado pessoal, como se diz. Por exemplo, algumas levam o fato de eu ser vegetariana para o lado pessoal. Mais: Consideram-no uma ofensa. E, diante dessa ofensa, tratam logo de retribuí-la. Já ouvi que compadecer da dor dos animais é uma frivolidade – que é mais típico de quem não se compadece da dor dos seres humanos. E que compadecer da dor de mamíferos, peixes e aves é uma hipocrisia. E a dor dos vegetais que eu como? Ou a dor dos insetos que são mortos no cultivo daquilo que eu como? Ou a dor dos germes que são mortos na lavagem da louça em que eu como? E tudo isso porque eu digo, não, obrigada, não quero ir a uma churrascaria com você. Falo sério.
Mas o que será isso? A expressão trágica, como diria Marshall B. Rosenberg, criador da comunicação não-violenta, de uma necessidade não atendida? E que necessidade será essa? Que eu o acompanhe a uma churrascaria? Que eu sempre lhe diga sim? Que eu retribua a lealdade que ele me dedica? Que eu retribua as concessões que ele faz por mim? E porque não falar isso assim, como é – ao invés de usar o meu vegetarianismo para me chamar de frívola ou hipócrita?
Eu e um baiano, que mora em São Paulo, ficamos meses sem nos falar. Daí uma hora ele me liga e diz: Estou passando agora na sua casa, estou morrendo de saudades. Então eu explico que já tenho outros planos, e proponho que nos encontremos num outro dia. Não sei bem como, ele sempre acha uma forma de me dizer que para mim tudo tem que ser hipermontado e hiperformal, que uma amiga de verdade sempre arruma tempo para um amigo, que eu corto toda uma energia maravilhoo-sa de improvisação, que eu sou assim – uma paulista! Miau.
Talvez eu, o churrasco-lover e o baiano estejamos, cada um a seu modo, tentando lidar com a dor de receber um não. Porque essas críticas tão duras também me chegam como um não: Um não ao meu estilo de vida, um não às minhas escolhas. Há alguns anos era-me muito doloroso ouvir críticas tão duras. Tão doloroso que eu logo transformava o meu não num sim – para não ter que ouvir nem mais uma daquelas palavras. Hoje ainda é doloroso ouvir algo assim – mas não o suficiente para eu abrir mão do meu não. Então eu respondo que eu preferiria que eles me achassem uma fofa. Mas que, parafraseando Luigi Pirandello, eu sou aquilo que lhes pareço. Ou que, repetindo Mário Quintana, cada um pensa como pode. Grr.
Em empatia a todas as pessoas que conhecem a dor de receber um não, deixo-os com a abertura de Magnolia, do muito talentoso (e muito sexy) P.T. Anderson, ao som de One, da muito talentosa (e muito melancólica) Aimee Mann. Nessa abertura, todos os personagens são-nos introduzidos assim, de uma vez só. Não sabemos o que os une – mas a canção sugere experiências de solidão e de não: No is the saddest experience you'll ever know. Yes, it's the saddest experience you'll ever know. Because one is the loneliest number that'll you'll ever do. Aqui você encontra uma versão de One sem a interferência do som do filme.
Querido Alberto. Comecei respondendo ao seu instigante comentário ao meu post ASSIM SOU SE LHE PAREÇO, que “beber tem que ser sempre uma opção; coagir o outro a qualquer ato é imoral”, e quando me dou conta – escrevi todo um novo post.
Para beber, não me sinto objeto de coação – mas sim de uma expectativa fuerte. Para algumas pessoas, como disse o Alê Bom à Bessa (ouch!), não beber é uma ofensa. Mas a expectativa fuerte do outro é problema dele, não? O meu problema é não me deixar levar por ela. Mas isso às vezes, humph, é um trabalho em tempo integral.
Ah, algumas pessoas tendem a levar as coisas para o lado pessoal, como se diz. Por exemplo, algumas levam o fato de eu ser vegetariana para o lado pessoal. Mais: Consideram-no uma ofensa. E, diante dessa ofensa, tratam logo de retribuí-la. Já ouvi que compadecer da dor dos animais é uma frivolidade – que é mais típico de quem não se compadece da dor dos seres humanos. E que compadecer da dor de mamíferos, peixes e aves é uma hipocrisia. E a dor dos vegetais que eu como? Ou a dor dos insetos que são mortos no cultivo daquilo que eu como? Ou a dor dos germes que são mortos na lavagem da louça em que eu como? E tudo isso porque eu digo, não, obrigada, não quero ir a uma churrascaria com você. Falo sério.
Mas o que será isso? A expressão trágica, como diria Marshall B. Rosenberg, criador da comunicação não-violenta, de uma necessidade não atendida? E que necessidade será essa? Que eu o acompanhe a uma churrascaria? Que eu sempre lhe diga sim? Que eu retribua a lealdade que ele me dedica? Que eu retribua as concessões que ele faz por mim? E porque não falar isso assim, como é – ao invés de usar o meu vegetarianismo para me chamar de frívola ou hipócrita?
Eu e um baiano, que mora em São Paulo, ficamos meses sem nos falar. Daí uma hora ele me liga e diz: Estou passando agora na sua casa, estou morrendo de saudades. Então eu explico que já tenho outros planos, e proponho que nos encontremos num outro dia. Não sei bem como, ele sempre acha uma forma de me dizer que para mim tudo tem que ser hipermontado e hiperformal, que uma amiga de verdade sempre arruma tempo para um amigo, que eu corto toda uma energia maravilhoo-sa de improvisação, que eu sou assim – uma paulista! Miau.
Talvez eu, o churrasco-lover e o baiano estejamos, cada um a seu modo, tentando lidar com a dor de receber um não. Porque essas críticas tão duras também me chegam como um não: Um não ao meu estilo de vida, um não às minhas escolhas. Há alguns anos era-me muito doloroso ouvir críticas tão duras. Tão doloroso que eu logo transformava o meu não num sim – para não ter que ouvir nem mais uma daquelas palavras. Hoje ainda é doloroso ouvir algo assim – mas não o suficiente para eu abrir mão do meu não. Então eu respondo que eu preferiria que eles me achassem uma fofa. Mas que, parafraseando Luigi Pirandello, eu sou aquilo que lhes pareço. Ou que, repetindo Mário Quintana, cada um pensa como pode. Grr.
Em empatia a todas as pessoas que conhecem a dor de receber um não, deixo-os com a abertura de Magnolia, do muito talentoso (e muito sexy) P.T. Anderson, ao som de One, da muito talentosa (e muito melancólica) Aimee Mann. Nessa abertura, todos os personagens são-nos introduzidos assim, de uma vez só. Não sabemos o que os une – mas a canção sugere experiências de solidão e de não: No is the saddest experience you'll ever know. Yes, it's the saddest experience you'll ever know. Because one is the loneliest number that'll you'll ever do. Aqui você encontra uma versão de One sem a interferência do som do filme.
segunda-feira, 24 de março de 2008
EU BEBO O QUE?
Reflexões sobre eu e o álcool, 3
Contei-lhes há pouco que, na minha vida adulta, aprendi a beber socialmente – ou a aceitar e a segurar um copo de bebida alcoólica. Tenho várias razões para tanto. Algumas derivam da minha persona estratégica (aquilo a que eu resisto, diria Carl G. Jung, persiste), outras derivam da minha persona gregária, ávida por aceitação, pertencimento e confiança (people don’t trust a person, diriam os escoceses, who does not drink).
Mas eu bebo o que?
Tenho opiniões sobre muitas coisas, mas sobre o álcool que eu vou beber não é uma delas. Na sua casa aceito logo o que você me oferece. Num restaurante ou num bar, aceito logo o que você me recomenda. Mas se você me recomenda um chope, aí peço um prosecco ou um cosmopolitan. (Chope, cerveja, refrigerante ou água com gás não rolam. Ah, tenho alguma persona que sabe impor limites – até mesmo à minha persona gregária.) E sim, leitores antenadíssimos, também peço caipirinha de cachaça – e rosé, esse eu pedirei quando encontrar o Sofia na carta de vinhos. Não porque entendo de vinho (não entendo), mas porque apóio aqueles vinhos que subsidiam os filmes arriscados e maravilhosos dos Coppola.
Quando sou eu a receber, continuo confiando nas recomendações do Wine Spectator e do muito atencioso e paciente Marcelo Lopes, do Santa Luzia. E confiando nos meus, er, outros sentidos. E hoje os meus olhos e os meus ouvidos só querem saber da Freixenet – o que são esses comerciais de animação?
O primeiro deles holografa os borrões do maravilhoso vídeo de Crazy, de Gnarls Barkley. Em Crazy, borrões de Rorschach dançam em papel mata-borrão branco. Em Freixenet, borrões dançam num copo de leite.
Os outros dois rotoscopiam cenas de um universo, er, tres Hôtel Costes, ao som de Yachts, de Coco Steel & Lovebomb. Nessa técnica, filma-se uma imagem e, depois, desenha-se cada um dos seus quadros. Bom, pelo menos era assim em Take on Me, do a-ha, vídeo que mesmerizou esta blogueira em 1985. Esses dois comerciais foram dirigidos por Zoran Bihac e animados por Sasa Zivkovic, dupla que também colaborou nesse (olha isso!) vídeo de hip hop alemão.
Contei-lhes há pouco que, na minha vida adulta, aprendi a beber socialmente – ou a aceitar e a segurar um copo de bebida alcoólica. Tenho várias razões para tanto. Algumas derivam da minha persona estratégica (aquilo a que eu resisto, diria Carl G. Jung, persiste), outras derivam da minha persona gregária, ávida por aceitação, pertencimento e confiança (people don’t trust a person, diriam os escoceses, who does not drink).
Mas eu bebo o que?
Tenho opiniões sobre muitas coisas, mas sobre o álcool que eu vou beber não é uma delas. Na sua casa aceito logo o que você me oferece. Num restaurante ou num bar, aceito logo o que você me recomenda. Mas se você me recomenda um chope, aí peço um prosecco ou um cosmopolitan. (Chope, cerveja, refrigerante ou água com gás não rolam. Ah, tenho alguma persona que sabe impor limites – até mesmo à minha persona gregária.) E sim, leitores antenadíssimos, também peço caipirinha de cachaça – e rosé, esse eu pedirei quando encontrar o Sofia na carta de vinhos. Não porque entendo de vinho (não entendo), mas porque apóio aqueles vinhos que subsidiam os filmes arriscados e maravilhosos dos Coppola.
Quando sou eu a receber, continuo confiando nas recomendações do Wine Spectator e do muito atencioso e paciente Marcelo Lopes, do Santa Luzia. E confiando nos meus, er, outros sentidos. E hoje os meus olhos e os meus ouvidos só querem saber da Freixenet – o que são esses comerciais de animação?
O primeiro deles holografa os borrões do maravilhoso vídeo de Crazy, de Gnarls Barkley. Em Crazy, borrões de Rorschach dançam em papel mata-borrão branco. Em Freixenet, borrões dançam num copo de leite.
Os outros dois rotoscopiam cenas de um universo, er, tres Hôtel Costes, ao som de Yachts, de Coco Steel & Lovebomb. Nessa técnica, filma-se uma imagem e, depois, desenha-se cada um dos seus quadros. Bom, pelo menos era assim em Take on Me, do a-ha, vídeo que mesmerizou esta blogueira em 1985. Esses dois comerciais foram dirigidos por Zoran Bihac e animados por Sasa Zivkovic, dupla que também colaborou nesse (olha isso!) vídeo de hip hop alemão.
quinta-feira, 20 de março de 2008
ASSIM SOU SE LHE PAREÇO
Reflexões sobre eu e o álcool, 2
Yo, I'll tell you what I want, what I really, really want: Água. Mas não vou insistir nisso porque, como diria Carl G. Jung, aquilo a que eu resisto, persiste – e como persiste!
Às vezes você aceita que eu vou beber a minha água, e apenas a minha água. Mas, logo me dou conta, é porque você presume que estou grávida, que sou evangélica ou muçulmana, the designated driver (a amiga da vez?), uma alcoólatra em recuperação – ou que tomei uma bala.
Por que outro motivo uma pessoa não beberia álcool?
Um lado meu até quer explicar, não para me justificar, mas porque quero que você conheça a minha essência. Mas um outro lado, talvez mais pragmático, apenas entende que o nosso é um mundo de aparências. E que, parafraseando Luigi Pirandello, assim sou se lhe pareço.
A trilha sonora desse post é o delicioso samba-rock Eu Bebo Sim, interpretado pela divina Elizeth Cardoso. Se você pensa que esse tipo de propaganda do álcool ficou nos anos 70, pense em Rehab de Amy Winehouse, Lived in Bars de Cat Power, ou em Cachaça, de Carlinhos Brown (aqui na interpretação da Timbalada).
Yo, I'll tell you what I want, what I really, really want: Água. Mas não vou insistir nisso porque, como diria Carl G. Jung, aquilo a que eu resisto, persiste – e como persiste!
Às vezes você aceita que eu vou beber a minha água, e apenas a minha água. Mas, logo me dou conta, é porque você presume que estou grávida, que sou evangélica ou muçulmana, the designated driver (a amiga da vez?), uma alcoólatra em recuperação – ou que tomei uma bala.
Por que outro motivo uma pessoa não beberia álcool?
Um lado meu até quer explicar, não para me justificar, mas porque quero que você conheça a minha essência. Mas um outro lado, talvez mais pragmático, apenas entende que o nosso é um mundo de aparências. E que, parafraseando Luigi Pirandello, assim sou se lhe pareço.
A trilha sonora desse post é o delicioso samba-rock Eu Bebo Sim, interpretado pela divina Elizeth Cardoso. Se você pensa que esse tipo de propaganda do álcool ficou nos anos 70, pense em Rehab de Amy Winehouse, Lived in Bars de Cat Power, ou em Cachaça, de Carlinhos Brown (aqui na interpretação da Timbalada).
terça-feira, 11 de março de 2008
EU TE AMO... EU TAMPOUCO
Numa mensagem telefônica a minha mãe me informa, toda animada, que Jane Birkin vai se apresentar no Sesc Pinheiros nesta quinta-feira.
Sim, meninas: Birkin é a bolsa Hermès objeto-de-desejo de toda mulher chic. Mas é, também, a atriz cult que conhecemos no genial Blow Up de Michelangelo Antonioni (baseado em conto do maravilhoso Julio Cortázar), e a cantora cult que conhecemos em Je t'aime... Moi non plus, em dueto com seu namorado, o poeta e tudo-o-mais Serge Gainsbourg.
A canção surpreendeu alguns com a letra nonsense de M. Gainsbourg (a começar do título Eu te amo... Eu tampouco, inspirado numa frase de Salvador Dali), confundiu outros com a, er, troca de mulheres (Mme Birkin interpretava uma canção que M. Gainsbourg compusera para Brigitte Bardot), escandalizou muitos outros com a interpretação, tão sexy, d'amour physique de Mme Birkin – e deliciou esta blogueira, que não fazia a menor idéia de que havia ali alguma novidade ou motivo para alvoroço.
Mas nesta quinta-feira o encontro com esse ícone da minha infância, adolescência e tudo o mais não acontece. É que escolhi que o meu intento é continuar a explorar, descobrir, compartilhar e crescer com o meu grupo de desenvolvimento pessoal no Ish – e as nossas reuniões acontecem nas noites de quinta-feira. (Sim, Cecília Meireles: É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!)
Depois lhes conto tudo sobre intento. Mas já adianto que ouvi essa palavra (no seu significado esotérico) pela primeira vez há apenas dez dias, através da übber-conectada Priscila V. Desde então coisas incríveis estão a acontecer na minha vida. Tão incríveis que eu não me surpreenderei se nos próximos dias eu for presenteada com um encontro com Mme Birkin – ou mesmo, como Lucy Liu naquele episódio de Sex and the City, com uma bolsa Birkin.
Sim, meninas: Birkin é a bolsa Hermès objeto-de-desejo de toda mulher chic. Mas é, também, a atriz cult que conhecemos no genial Blow Up de Michelangelo Antonioni (baseado em conto do maravilhoso Julio Cortázar), e a cantora cult que conhecemos em Je t'aime... Moi non plus, em dueto com seu namorado, o poeta e tudo-o-mais Serge Gainsbourg.
A canção surpreendeu alguns com a letra nonsense de M. Gainsbourg (a começar do título Eu te amo... Eu tampouco, inspirado numa frase de Salvador Dali), confundiu outros com a, er, troca de mulheres (Mme Birkin interpretava uma canção que M. Gainsbourg compusera para Brigitte Bardot), escandalizou muitos outros com a interpretação, tão sexy, d'amour physique de Mme Birkin – e deliciou esta blogueira, que não fazia a menor idéia de que havia ali alguma novidade ou motivo para alvoroço.
Mas nesta quinta-feira o encontro com esse ícone da minha infância, adolescência e tudo o mais não acontece. É que escolhi que o meu intento é continuar a explorar, descobrir, compartilhar e crescer com o meu grupo de desenvolvimento pessoal no Ish – e as nossas reuniões acontecem nas noites de quinta-feira. (Sim, Cecília Meireles: É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!)
Depois lhes conto tudo sobre intento. Mas já adianto que ouvi essa palavra (no seu significado esotérico) pela primeira vez há apenas dez dias, através da übber-conectada Priscila V. Desde então coisas incríveis estão a acontecer na minha vida. Tão incríveis que eu não me surpreenderei se nos próximos dias eu for presenteada com um encontro com Mme Birkin – ou mesmo, como Lucy Liu naquele episódio de Sex and the City, com uma bolsa Birkin.
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domingo, 2 de março de 2008
ENSANDECENDO BRITNEY SPEARS
O trabalho do paparazzo brasileiro Filipe Teixeira consiste em, das quatro da tarde às quatro da manhã, montar guarda na porta da casa de Britney Spears em Beverly Hills (ou do hotel onde ela passa tanto do seu tempo) e seguí-la aonde quer que seja. Há cerca de trinta paparazzi, Mr. Teixeira conta-nos em entrevista à revista Quem, que se dedicam integralmente ao cotidiano da ex-princesa do pop. Segundo matéria de Vanessa Grigoriadis na Rolling Stone de fevereiro, a cada dia pelo menos cem paparazzi, repórteres e editores de fofoca seguem Ms. Spears, buscando registrar quaisquer de seus gestos em imagem ou texto.
Não conheço, entre eu e as pessoas do meu convívio, uma única que não ensandeceria se perseguida o tempo todo por um bando de gente. Aliás, já presenciei algumas perderem o eixo porque se viram assediadas por alguns minutos por uns poucos pernilongos. E esse, er, collective stalking é apenas um dos estressores da menina que começou a freqüentar concursos de beleza aos três anos de idade, da mulher cuja dor e tragédia hoje fazem a delícia da sociedade do espetáculo.
Quanto mais constrangedora ou bizarra a imagem que o paparazzo registra, sabemos, maior o seu valor no mercado de tablóides. Mas parece que mais uma foto de Ms. Spears sem calcinha, ou com a calcinha manchada de sangue menstrual seria, er, old news: A foto-troféu do momento, revela-nos Ms. Grigoriadis, é a do seu corpo embalado num saco, a caminho do médico-legista.
De que estamos diante? Tenho aqui as minhas reflexões, as quais compartilharei com vocês em breve. Por ora sugiro que assistam ao vídeo da canção Everytime, que Ms. Spears gravou em 2003, no auge do seu reinado pop. Ali e então, imagens onde Ms. Spears aparece por vezes letárgica, outras colérica, por fim angustiada; agredindo paparazzi, fãs, seguranças, seu namorado; suicidando-se numa banheira para, explicou-nos depois a cantora, reencarnar-se num bebê – essas imagens eram pura ficção.
Não conheço, entre eu e as pessoas do meu convívio, uma única que não ensandeceria se perseguida o tempo todo por um bando de gente. Aliás, já presenciei algumas perderem o eixo porque se viram assediadas por alguns minutos por uns poucos pernilongos. E esse, er, collective stalking é apenas um dos estressores da menina que começou a freqüentar concursos de beleza aos três anos de idade, da mulher cuja dor e tragédia hoje fazem a delícia da sociedade do espetáculo.
Quanto mais constrangedora ou bizarra a imagem que o paparazzo registra, sabemos, maior o seu valor no mercado de tablóides. Mas parece que mais uma foto de Ms. Spears sem calcinha, ou com a calcinha manchada de sangue menstrual seria, er, old news: A foto-troféu do momento, revela-nos Ms. Grigoriadis, é a do seu corpo embalado num saco, a caminho do médico-legista.
De que estamos diante? Tenho aqui as minhas reflexões, as quais compartilharei com vocês em breve. Por ora sugiro que assistam ao vídeo da canção Everytime, que Ms. Spears gravou em 2003, no auge do seu reinado pop. Ali e então, imagens onde Ms. Spears aparece por vezes letárgica, outras colérica, por fim angustiada; agredindo paparazzi, fãs, seguranças, seu namorado; suicidando-se numa banheira para, explicou-nos depois a cantora, reencarnar-se num bebê – essas imagens eram pura ficção.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
EVERYBODY DANCE NOW!
Eu nunca havia estado num navio. Mas já havia visto imagens suficientes para saber que há um ritual, um espetáculo de buzinação e agitação e exultação quando o navio parte. Mas quando o Island Escape partiu do porto de Santos na sexta-feira, Tommy, ali foi uma explosão: Começava a Tribe Onboard 2008.Os primeiros sons do DJ Soneca nos chegam como uma ordem, um mandamento: Todo mundo – também esta blogueira – começa a dançar. Alguns – não esta blogueira –, talvez movidos por entusiasmo, talvez com o auxílio luxuoso das balas e dos doces, alguns só param na segunda-feira de manhã, quando o navio atraca no porto de Santos.
Será que a Lúcia que desce do navio está desbloqueada (como eu disse), perdeu algumas virgindades (como a Rosane preferiu), quebrou todas as cadeias (nas palavras do Alexandre Lucas)? Ou será que esse cruzeirinho termina por revelar ou criar ainda outros bloqueios?
Ah, é muita coisa para escrever num post só. Por ora sugiro que assistam a Rock This Party/Everybody Dance Now do Bob Mr-Feel-Good-Song Sinclair. Lá aquele garoto fofo que salva a Terra em World, Hold On, e que atravessa a América de bicicleta em Love Generation, lá ele e duas amigas fofas também fazem todo mundo dançar já. (Ravers: Isso não é uma provocação! É apenas que talvez eu seja, er, mais do carinho do que do carão.)
P.S.: Para o Ludo já contei tudo num happy hour na terça-feira. Foram cinco horas de confissões – e eu nem precisei miacabar nos cosmos!
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
aka MR. BIG
O antenadíssimo Tony Goes, meu vizinho e blogueiro favorito, acaba de postar o muito esperado novo trailer de Sex and the City: The Movie. Kudos to Tony!
Tony diz ter gostado do que viu: As meninas, as roupas, a Jennifer Hudson, e principalmente a música-tema em versão "orquestra de Hollywood". Mas vejam, meninas, como são os homens: Passou-lhe batido o que todas nós realmente queríamos saber – o nome verdadeiro do Mr. Big. Onde já se viu um trailer revelar o que o último episódio da série deixou em segredo? Talvez por isso os produtores estejam tirando-o do ar.
O nome é John James Preston. Ah, eu sei: É tão previsivelmente wasp..! Os autores perderam a chance de nos surpreender com um sobrenome polonês, irlandês, ou mesmo muçulmano. Ou com um nome que referencie alguém do mundo real: Era esse o caso do outro namorado de Carrie, Aidan Shaw – uma homenagem ao, er, grande ator de filme pornô gay Aiden Shaw. Bom, segundo o Tony, o filme estréia em 4 de julho. Os autores têm um pouco menos de quatro meses, sete dias, cinco horas e vinte minutos para pensar num nome mais criativo.
Deixo-os com a lindíssima Blue Skies, do very-New-Yorker Irving Berlin. É essa canção, na gravação da very-divine Ella Fitzgerald, que abre o trailer de SATC: The Movie. Aqui vemos a very-girl-next-door Alice Faye cantando-a para um Mr. Big dos anos 40, Tyrone Power.
Tony diz ter gostado do que viu: As meninas, as roupas, a Jennifer Hudson, e principalmente a música-tema em versão "orquestra de Hollywood". Mas vejam, meninas, como são os homens: Passou-lhe batido o que todas nós realmente queríamos saber – o nome verdadeiro do Mr. Big. Onde já se viu um trailer revelar o que o último episódio da série deixou em segredo? Talvez por isso os produtores estejam tirando-o do ar.
O nome é John James Preston. Ah, eu sei: É tão previsivelmente wasp..! Os autores perderam a chance de nos surpreender com um sobrenome polonês, irlandês, ou mesmo muçulmano. Ou com um nome que referencie alguém do mundo real: Era esse o caso do outro namorado de Carrie, Aidan Shaw – uma homenagem ao, er, grande ator de filme pornô gay Aiden Shaw. Bom, segundo o Tony, o filme estréia em 4 de julho. Os autores têm um pouco menos de quatro meses, sete dias, cinco horas e vinte minutos para pensar num nome mais criativo.
Deixo-os com a lindíssima Blue Skies, do very-New-Yorker Irving Berlin. É essa canção, na gravação da very-divine Ella Fitzgerald, que abre o trailer de SATC: The Movie. Aqui vemos a very-girl-next-door Alice Faye cantando-a para um Mr. Big dos anos 40, Tyrone Power.
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