quarta-feira, 16 de abril de 2008

DE TOLERANTIA

Sou um pouco como naquela canção do Sam Cooke: Don’t know much about geography, don’t know much biology. Sei ainda menos sobre a teoria dos redutos, como a chamam os geógrafos, ou dos refúgios, como preferem os biólogos. A última vez em que olhei temas desse universo com rigor foi nos anos 80, quando traduzi o livro Biologia da Poluição.

Mas nasci e cresci entre cientistas. E conheço o geógrafo Aziz Ab’Saber para saber, como naquela canção do Spandau Ballet, to know this much is true: Ele é uma das pessoas mais éticas e lúcidas do país. É verdade que sou suspeita. Respeito e admiro o professor Aziz não só como homem público (o cientista, o professor, o cidadão) mas também como amigo: Os laços que unem o meu pai ao Professor Aziz, e a minha família aos Ab’Saber, são a própria definição de philia.

Também respeito e admiro o zoólogo e compositor Paulo Emílio Vanzolini, inclusive na esfera pessoal. Até os meus vinte e poucos anos, fomos vizinhos. Vizinhos de fundo. E convivi muito com os seus filhos Fernanda e Toni.

Portanto, lendo a matéria de Eduardo Geraque na Folha de São Paulo, sinto-me diante de algum tipo de erro. Alguém, e de alguma forma, cometeu um erro de discernimento ou de comunicação. E diante do que leio, eis o meu discernimento: Não, o Professor Aziz não está “nessa fase de invenção, de dizer que ele descobriu a teoria dos refúgios”, tampouco ele “colocou isso na internet”.

Como já lhes contei, procuro ser tolerante diante de certos erros de discernimento ou de comunicação – inclusive quando sou objeto desses erros. Por exemplo, também já lhes contei, quando alguém usa palavras duras como frivolidade, hipocrisia ou burrice para se referir à minha escolha de dieta vegetariana. Esclarecer-me, justificar-me, defender-me muitas vezes não vale a pena: Deixe que esses erros evanesçam. Assim é se lhe parece, diria Luigi Pirandello. Cada um pensa como pode, diria Mário Quintana.

Mas a tolerância só é uma virtude, diria André Comte-Sponville, se acompanhada de limite. E uma sugestão de apropriação indevida de tese científica, em letra impressa – no meu discernimento, aqui o limite foi ultrapassado. E, diante disso, são precisos uma retificação e um pedido de desculpas ao Professor Aziz. Não dá para fazer por menos.

E enquanto não acho (melhor: não procuro) a fotografia do meu pai com um filhote de onça no colo, a bordo de um navio numa expedição no Rio Amazonas, ilustro este post com outra foto dele – aqui no III Seminário Sobre a Realidade Amazônica. Tratei de colocar-lhe um papagaio no antebraço. Não sei se chega a causar um estranhamento, um ostranenie, como numa foto de Juergen Teller. Mas que ficou fofo, ficou.


HE’S TOTALLY LIP-SYNCHING!
Papagaio! Por Herbert Richers e a sua descendência! Esse vídeo do Spandau Ballet para True é o pior lip-synching da história das imagens! É ainda pior, Too-tsie, do que Britney Spears em Gimme More nos VMAs. É alguma brincadeira que eu não consigo entender? Se fosse Laurie Anderson ou David Byrne, eu diria que se trata de uma proposta de estranhamento. Mas aqui – está parecendo negligência, imprudência ou imperícia mesmo.

6 comentários:

Too-Tsie disse...

Lu-Lux!
Eu ádoro Spandau Ballet (só conheço True e Gold hihihi).
Mas você realmente achou out-of-synch?
Eu acho que naquela época fazer videoclip ainda era novidade então, não tinha controle de qualidade e ficou por isso mesmo.

ludo diniz disse...

Agiu com negligência, imprudência ou imperícia? Então é culpa!!!

Gui disse...

Ahhh...Vi agora no Carioca: parabens!!!

Alberto Pereira Jr. disse...

Britney no VMAs é vergonha alheia na certa.. autoflagelação pública...

os erros merecem reparos sempre!

introspective disse...

Ah, "True" foi uma das trilhas sonoras da minha infância. Hit de 1983 e tema da novela "Guerra dos Sexos". Eu tinha 5 anos!

ham-ham-ham-haaaam-ham... I know this... much is... true!

Anônimo disse...

necesidad de comprobar:)